quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Diário de bordo do 13º ENGEARQ

SARAVÁ MEU PAI!!! (nos bastidores do 13º ENGEARQ)

José Wolf¹

.


Estava escrito nas estrelas: esse encontro deveria ser especial. E foi. Graças ao idealismo do prof. Orlando Villar e da ajuda dos jovens Oliveira Jr. e Michel (Carlos), além do apoio de Cristina Evelise, presidente do IAB/PB e do CREA, aconteceu, em novembro, o 13º Encontro de Arquitetura e Engenharia da Paraiba. Antenado, Oliveira Jr, por sinal, acabou se transformando no coringa desse enigmático XIII Engearq.



Encontro marcado por imprevistos, contratempos, desafios e descobertas. Afinal, era o 13, número, que para muitos, significa azar e, para outros, sorte. De qualquer maneira, as bruxas estavam soltas.


.



Pra começo de conversa: ao chegar, o eng. Siqueira, expert em estruturas de “viadutos e pontes”, porém deselegante, espanta-se com o repórter sex-generário de bermuda. - Bermuda? - Sim, amigo. Afinal estou na Terra do Sol! Apesar de minhas canelas finas, me libertei um dia do complexo, quando descobri alguém , numa cadeira de rodas, com as pernas amputadas.


.
Solenidade de abertura do XIII Engearq: Orlando Villar (UFPB), Damião Ramos (IPHAEP) e Antonio Francisco (IAB-PB)
.

*

À noite do dia 20, a abertura do Encontro, no Espaço Cultural, projetado pelo saudoso Sérgio Bernardes. A palestra de abertura coube ao militante Ângelo Arruda, presidente da FNA. Que ao questionar a política habitacional oficial, levantou o astral de cerca de 300 participantes inscritos, marcando o eixo temático do evento. Ou seja: a questão da habitação social, tão ausente nos compêndios acadêmicos universitários. Tema enfocado, também, pelo lúcido Marco Suassuna, parente do festejado dramaturgo Ariano Suassuna.
.
Palestra de abertura: Ângelo Arruda (FNA)
.

A meu lado, silencioso, o franciscano Amaro Muniz revela o drama de saúde familiar que enfrentava. E, também, o amigo outsider Isnard Barroso e o admirável, mas humilde, Gilberto Guedes. Mas, senti falta de Bethânia Tejo, Sandra Moura, Hélio Costa, da doce Dayse Cunha e do indomável Fábio Queiroz, além da inesquecível guerreira Jussara Dantas (in memoriam), de Paulo Macedo e do ilustre José Nivaldo Ribeiro, por meio de quem conheci Expedito de Arruda. Senti, ainda, a falta dos arquitetos alagoanos Mário Aloísio e Ruben Wanderley, além da pernambucana Vera Pires, que sempre marcaram presença em encontros anteriores. Em compensação, descubro novos amigos, entre os quais Elisana Dantas e Leila D´Ángela , autoras do projeto de revitalização premiado “capela de N. Sra. da Graça”, além de Ricardo Vidal e da simpática dupla Livia Loureiro e Davi de Lima.
.
A lamentar, apenas, a ausência de uma homenagem ao inesquecível mestre Acácio Gil Borsoi, formador de tantas gerações de arquitetos do Nordeste, que faleceu aos 85 anos, no dia 4 de novembro, em São Paulo, onde se tratava.
.
.
Profissionais e estudantes marcam presença no auditório do cine Banguê.
.
O argentino Jorge Mário Jáuregui e a portuguesa Joana Vieira em primeiro plano. Na diagonal à direita o inventor Reginaldo Marinho, em segundo plano.
.

*



Na manhã do dia 21 (sábado), acabei me perdendo na periferia de João Pessoa, ao visitar um mercado popular em busca do feijão de corda, do colorau e da celebrada cachaça Triunfo, cuja garrafa ofereci ao cadeirante Hélio, que vive , também, na famosa Cracolândia, em São Paulo, onde sobrevivo, entre tantos nóias (consumidores de crack).


.



De repente, outra notícia inesperada: o principal convidado do encontro, o arq. chileno Alejandro Aravena e família são hospitalizados, sob os cuidados do incansável Orlando Villar e equipe, como a atenciosa Maria José ( além de Michel e família). Por coincidência, foi atendido por um médico (Epitácio Vidal) pai do premiado Ricardo Vidal (centro empresarial Avenida Epitácio Pessoa).



*


Aleluia. Com a ajuda de Michel, que o acompanhava, consegui registrar um breve depoimento seu, já que estava a postos com o gravador à mão no hall do hotel Hardman, quando chegou de sopetão Breve, Aravena declarou: “Wolf, só diria uma coisa: que os jovens arquitetos brasileiros lutem para resgatarem os valores da arquitetura brasileira dos anos 50 e 60, que tanto encantou o mundo, incluindo arquitetos da América Latina entre os quais, eu” . Cordial, Michel me oferece dois cajus aromáticos, um dos símbolos do Nordeste celebrados numa das canções de Alceu Valença.


.
.
Elisabetta Romano, Alejandro Aravena, Marco Suassuna e Jovanka Scocuglia.
.

Dia 22. Um dia iluminado, com a presença de Tereza, Marco Antonio Borsoi e Bonna, neta de Acácio Gil Borsoi, que completava oito anos de idade. A ela, ofereci um sorvete de chocolate que adorou. Eles estavam hospedados no hotel Verde Green, projeto ecológico de Roberta Borsoi e Janete Costa (interiores). Após uma caminhada pela praia, telefono para eles, convidando-os para almoçarem comigo no hotel Hardman, projetado por Paulinho Macedo, elogiado (principalmente pelas fachadas laterais) por Mario Biselli, quando passou por aí.



*



Jamais, poderia imaginar que fosse um dia tão fantástico, com a presença no almoço de Mario Jauregui, Joana Vieira, Zeca Brandão, Arruda, entre outros participantes do evento. Antes disso, a visita ao edifício Parália, de autoria do competente trio: Antônio Cláudio Massa, Ernani Jr e Silvia Muniz.


*


No Espaço Cultural, a cerimônia de encerramento desse inesquecível Encontro, sob a batuta de Olveira Jr., já que o mestre Orlando Villar se ausentava por problemas de saúde. Depois da mesa-redonda, me cruzo com a incrível Amélia Panet e sua irmã Myriam. Um evento, que apesar de tudo, acabou em alto estilo.

.Mesa redonda: Ângelo Arruda, Jorge Jáuregui, Expedito Arruda e Zeca Brandão.


.


À noite, numa pizzaria, a convite do generoso Expedito de Arruda, outro ágape. Com direito a um bom vinho degustado em taças de cristal que me lembraram o Santo Graal. Entre os presentes, Ernani, A. Cláudio, Oliveira e os neófitos Davi e Lívia. Emocionados, confessam; “jamais, poderíamos imaginar que João Pessoa já recebeu tantos arquitetos renomados, como Mario Botta, Álvaro Siza, Eduardo Souto Moura, Juvenal Baraco, além dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha, Ruy Ohtake, Gasperini, Rosa Kliáss, Marcelo Ferraz, Fábio Penteado ou Ciro Pirondi”.


.
Oliveira Júnior, Alejandro Aravena, Lívia Loureiro e Davi de Lima.




*


Dia 23: de manhã, visita ao escritório de Expedito de Arruda, para registrar seu depoimento sobre um possível documento que pretendo publicar, com a colaboração do Oliveira, acerca de sua marcante trajetória profissional. A seu lado, Fred Svendsen, que me ofereceu, gentilmente, uma brochura sobre sua fantástica obra, com prefácio do poeta Ferreira Gullar. Aliás, Svendsen, na minha opinião, é a tradução , em sua atormentada pintura figurativa, do escritor argentino Luiz Borges.


.



De volta ao hotel, acertando as contas e à espera da vam que nos levaria até o aeroporto, outro problema. Por um equívoco, a minha passagem (traslado) foi definida em função do horário da passagem de outros convidados, às 15 horas, enquanto o meu era às 13 horas. Resultado: embarque cancelado.


.



O que fazer? Com a paciência de ex-seminarista, consulto o livro “Alegria e Triunfo”. Ao abri-lo, a mensagem: “o atraso é amigo “! Muy amigo. Resultado: quase oito horas de cadeira no aeroporto (Castro Pinto), onde vivi experiências jamais imaginadas. Um aeroporto, por sinal, carente de serviços. Que vive de altos e baixos como as ondas do mar.


.



Fumante (me desculpem), estava sem cigarro, até que aparece um segurança, no horário de sua folga, me oferecendo um cigarro. Alívio. E, de repente, começa a falar sobre a construção de sua casa nos arredores da capital paraibana. E sobre os entraves burocráticos enfrentados para legalizar sua moradia. Depois, surge um motoqueiro, que graças a uma gorjeta , foi buscar um Carlton para mim.


.



À certa altura, um grupo de funcionárias, evangélicas , me cercam para me abençoar. Durante o check- in, uma criança num carrinho, sorri para mim, confundindo-me, talvez, com o papai- noel E me oferece um pedaço do biscoito que consumia. Sem dúvida, uma lição! Com certeza, as crianças nos ensinam mais que os livros!


.


Toques:




  1. não deixem de assistir ao filme “crepúsculo:lua nova”;

  2. Não se esqueçam dos 102 anos do mestre Niemeyer no dia 15 de dezembro, autor, entre tantos projetos, do belíssima Eestação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Arte, que já virou cartão postal. Ao entrevistá-lo, em 1986, quando editor da revista AU, ele lamentava: “quanto mais se vive mais amigos a gente vê partir”!;

  3. E não deixem de ler o livro “As Cidades Vivas, viva as Cidades”, do instigante e provocador Sérgio Teperman. Que resultou de seus artigos escritos para a AU na seção intitulada“espaço de sobra”; _

  4. Não se esqueçam, ainda, do toque de Paulo Coelho, no livro “O alquimista”, ao confessar” descobri que a linguagem simbólica, que tanto me irritava e me desnorteava, era a única maneira de se atingit a alma do mundo”;

  5. E principalmente, dêem a vocês maior valor. Mesmo que não sejam tão divulgados pela mídia sulista.



    .


    Para concluir: um feliz natal e um 2010 com mais pão, moradia e menos panetone para todos vocês !


    .



1. José Wolf é jornalista, co-fundador da Revista AU e atual editor do boletim do IAB-SP.



Trecho do e-mail enviado por José Wolf para o ArqPB:


Caro Oliveira, (...) segue texto para possível publicação no seu elogiado blog, que começa a explodir, abrindo um novo canal de comunicação e conexão para os arquitetos do Nodeste, parabéns!


Com abração,


Wolf

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

BIG

The 8 house

Vídeo incrível sobre o processo de conceituação projetual do Bjarke Ingels Group. Imperdível!
Clique e assista.
.



8H - The 8-House from BIG on Vimeo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Labóratório de Práticas Projetuais - Unipê

Teatro Juteca


























MEMORIAL

O Laboratório de Práticas Projetuais do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Unipê, foi criado em 2003 com o objetivo de propiciar ao aluno uma iniciação profissional, a partir do seu envolvimento técnico, didaticamente planejado com as atividades específicas do profissional de arquitetura e urbanismo.

Entre as atividades previstas para o Laboratório de Práticas Projetuais, podemos citar a elaboração de estudos, pesquisas, consultoria, diagnósticos, relatórios, projetos e quaisquer outros trabalhos técnicos para a comunidade, assim o desenvolvimento de trabalhos que venham a ser contratados, relativos à prestação de serviços nas áreas de arquitetura e urbanismo, por empresas, organizações públicas ou privadas, e considerados de relevante interesse acadêmico.

Este proposta para a Juteca foi resultado de uma parceria do Movimento Paz e Cidadania – Cruz das Armas – e do Unipê, através do Laboratório de Práticas Projetuais do Curso de Arquitetura e Urbanismo, visando o desenvolvimento de um anteprojeto de reforma do Teatro da Juteca.

.

OBJETIVOS

.

Objetivo Geral

Elaborar um anteprojeto de arquitetura de reforma do Teatro da Juteca, que se adeque às suas atuais necessidades de funcionamento.

.

Objetivos Específicos

• Resgatar o valor simbólico do grupo teatral de Cruz das Armas - JUTECA;

• Proporcionar um espaço de lazer, educação e cultura para o bairro de Cruz das Armas;

• Instigar o contato da população carente com as artes;

• Diminuir o nível de marginalização no bairro;

• Criar condições de acessibilidade a todos.

.

JUSTIFICATIVA

• Apesar de possuir grande delimitação na malha urbana de João Pessoa, Cruz das Armas é um bairro carente em espaços de lazer e convívio social;

• Existe interesse da comunidade em reativar o Teatro;

• O grupo Teatral Juteca ainda existe, porém não há espaços onde o mesmo realize suas atividades;

• Atualmente, o bairro apresenta altos índices de violência urbana, com formação de gangues de ruas e assassinatos.

.

ASPECTOS HISTÓRICOS

• Em 1960 forma-se a Juventude Teatral de Cruz das Armas – JUTECA, grupo de jovens atores do bairro, dentre eles Ednaldo do Egypto, Zezita Matos, Félix Galdino e Dorgival Soares Barbosa, Breno Matos, Geraldo Jorge;

• Através de doações, é inaugurado em 1961 o Teatro da Juteca, sendo o primeiro teatro de bairro de João Pessoa;

• Manteve-se em funcionamento até o início dos anos 80, quando em regime de comodato foi transferido para Escola Estadual Municipal Oscar de Castro, que não se responsabilizou por sua manutenção;

• Após o fechamento, o teatro ficou abandonado. A pedido do teatrólogo Ednaldo do Egypto foi ocupado por uma família que habita precariamente o edifício até os dias atuais.

.

A PROPOSTA

A reativação do Teatro da Juteca é parte de um projeto mais amplo de criação de um centro cultural, com espaços para apresentações teatrais, dança, música, cinema, palestras e exposições. A fase inicial prevê a adequação da Juteca às novas necessidades programáticas e exigências da legislação pertinente, disponibilizando à comunidade, em um primeiro momento, um novo espaço para as apresentações e estudo das artes.

.

O terreno, de dimensões reduzidas, associado às novas exigências projetuais, determinaram a verticalização da construção dentro dos limites máximos permitidos pela legislação. A proposta, em sua reformulação da fachada, ao utilizar uma linguagem arquitetônica calcada na verticalidade e no uso de materiais contemporâneos, procura atribuir um novo valor estético a edificação, ao mesmo tempo em que resgata o caráter simbólico que a mesma tem para a comunidade.

.

Espacialização

Três grupos funcionais principais delinearam uma nova configuração para o edifício. Um bloco anterior, totalmente reconstruído, abriga a bilheteria, foyer, sanitários, administração e sala de múltiplo uso; o bloco central compreende os espaços da platéia, balcão e cabine técnica, e em um terceiro bloco estão localizados a caixa cênica e camarins.

.

O acesso principal à edificação é identificado por um terraço que abriga a bilheteria. O rebaixamento do nível da platéia permitiu a acessibilidade à edificação das pessoas com dificuldade de locomoção, através de um acesso lateral que também funciona como saída de emergência.

.

Um foyer de pé direito duplo direciona o público para os principais espaços do teatro. Os acessos às áreas da platéia e balcão é feito através de lances de escada (e rampas laterais), dispostos sobre um jardim interno com fechamento superior em domus, proporcionando iluminação e ventilação naturais.

.

Nos demais planos deste bloco, estão localizadas a administração e a sala de múltiplo uso, destinada às aulas de dança, música ou eventualmente como alojamento e camarim para os atores. Esta sala, dotada de wc e copa de apoio, possui iluminação natural e ventilação cruzada, conectando-se diretamente ao palco e camarins principais por uma circulação exclusiva de serviço.

.

Em nível situado 1,57m acima, está a platéia. distribuída em patamares, com capacidade para 114 lugares lugares, dos quais dois destes destinados à cadeirantes, este espaço foi redimensionado para viabilizar o proscênio da caixa cênica, sendo complementado pelo balcão superior com 23 poltronas. A cabine técnica, localizada sobre o balcão foi projetada para controle de luz, som, como também projeção de cinema. O acesso direto ao urdimento é facilitado pela existêcia de uma circulação lateral, garantindo eficiência operacional.

.

A caixa cênica e camarins definem o terceiro e último bloco do teatro. Na caixa cênica, A altura do urdimento foi redimensionada, adequando-se às exigências técnicas. O palco está localizado 70 cm acima do nível da platéia, com boca de cena de 6 metros de largura por 4 metros de altura, um proscênio de 1,5m define uma profundidade total de 6,5m ao palco. As passarelas e varandas, juntamente com as grelhas do urdimento dão o suporte técnico necessário.

.

Sob o palco estão os camarins e áreas de apoio necessárias ao corpo teatral: estar, wcs e depósitos. Todos estes espaços interligados ao palco e sala de múltiplo uso através de escadas e circulações de serviços.

.

Instalações

Os sistemas de refrigeração adotados para o Teatro da Juteca são de dois tipos, central splitão vertical para platéia e cabine técnica e split aparente de parede para camarins, estar, administração e sala de múltiplo uso. No primeiro caso, as máquinas serão instaladas na circulação técnica lateral e os dutos aparentes no nível das placas acústicas.

Além de toda vedação e climatização da platéia, propõe-se um jogo de placas acústicas no teto que associadas ao revestimento das alvenarias e do piso garantam a integibilidade da palavra no ambiente.

.

O projeto luminotécnico englobará especialmente dois trechos distintos do corpo do edifício, a platéia e o palco, ambos acionados da cabine técnica. Suas instalações situam-se em grande parte na caixa cênica (em varas de iluminação fixadas em viga metálica) e na estrutura inferior da cabine de comando e passarelas.

.

Estrutura

A solução estrutural adotada para o Teatro da Juteca é mista, utilizando o concreto armado no bloco anterior (pilares, vigas e lajes), para os trechos de recuperação da platéia e caixa cênica foram utilizados estruturas em concreto armado (pilares) e perfis metálicos para o vigamento da coberta.

.

.

FICHA TÉCNICA

LABORATÓRIO DE PRÁTICAS PROJETUAIS
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
UNIPÊ – JOÃO PESSOA / PB


Coordenadora Geral: Arqa. Amélia Panet (Profa.)

Coordenador Executivo: Arq. Cláudio Nogueira (Prof.)
Coordenador do Projeto: Arq. Ernani Henrique Júnior (Prof.)
Colaboradores: Arq. Francisco Trajano Sales (Prof.)

Arq. Jean Carlo Fechine (Prof.)

Estagiárias: Márcia Virginia Costa (aluna)

Rebeca Conserva (aluna)
Tatiana Moura (aluna)

Estrutura: Eng. Marcelo Franca (Prof.)
Instalações Elétricas: Arq. Valder de Souza (Prof.)
Orçamento: Eng. Eduardo Porto (Prof.)
Inst. de Prevenção Incêndio: Eng. Hamilton Matos (C. Bombeiros)
Ar Condicionado: Eng. Carlos Roberto (ENGEAR)
Maquete: Bertrand Pereira (téc. maquete)
Adri Duarte Lucena (aluno)
Felipe Rock Pereira (aluno)

Fotografias: Christian Azevedo (aluno)
Ricardo Nogueira(aluno)
Francisco Cabral (aluno)
Arquivos JUTECA


terça-feira, 24 de novembro de 2009

CDHU e IAB-SP lançarão concurso de arquitetura para habitação popular

Imóveis deverão seguir o conceito de sustentabilidade adotado pela CDHU, que inclui o Desenho Universal, espaços amplos e aquecimento solar

Ana Paula Rocha


A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e o IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento São Paulo) assinaram Protocolo de Intenções para a viabilização de um concurso nacional de projetos para modelos de habitação popular sustentável. O lançamento do concurso está pré-agendado para o dia 17 de dezembro, mas a data ainda pode ser alterada.

Os detalhes do concurso não estão finalizados. Sabe-se apenas que entre os objetivos da competição estão o desenvolvimento de projetos modernos de habitação popular a partir do conceito de sustentabilidade adotado pela CDHU, que inclui o Desenho Universal, espaços amplos e bem aproveitados, aquecimento solar e espaços de convivência. "Queremos projetos que também tenham enfoque na questão de custo e técnica", afirma Liane Makowski Almeida, arquiteta coordenadora do concurso.

Segundo Liane, o concurso deve contemplar habitações de diferentes tipologias, como casas térreas, germinadas e sobrados, edifícios de até 4 pavimentos ou acima de 8 pavimentos.

Fonte: www.piniweb.com.br

sábado, 21 de novembro de 2009

XIII ENGEARQ

O presidente da FNA, arquiteto Ângelo Arruda, abrilhanta a abertura do XIII ENGEARQ
Oliveira Júnior¹

Foto: Eng. Orlando Villar (UFPB), Damião Ramos Cavalcante (IPHAEP) e Antonio Francsico (IAB-PB)
.
A solenidade de abertura do XIII Encontro de Engenharia e Arquitetura foi prestigiada pelos representantes das principais autoridades públicas do Estado da Paraíba e das entidades profissionais da engenharia e arquitetura.

.
Representando o Instituto dos Arquitetos do Brasil - Departamento da Paraíba, o arquiteto Antonio Francisco, lembrou a trajetória do ENGEARQ destacando-o como um dos eventos anuais mais importantes do nordeste, que ainda se mantém perene graças ao trabalho extenuante e a persistência do professor Orlando Villar.


Foto: Arq. Ângelo Arruda, presidente da FNA.
.
Após as apresentações formais e a palestra da Caixa sobre os investimentos e a política de habitação social na Paraíba, o arquiteto Ângelo Arruda, presidente da Federação Nacional de Arquitetos - FNA, proferiu uma brilhante palestra.

Arruda organizou uma retrospectiva cronológica sobre a produção formal da habitação social brasileira desde a década de 20 com a criação das vilas operárias, evoluindo nos anos 30 através da proposta do Conjunto Pedregulho, de Reidy,
transformando-se num objeto político populista com Vargas, em 1963, multiplicando-se e estandardizando-se através do BNH em 1964, perdendo seu foco social com a Caixa Econômica Federal em 1986, e ressurgindo através do Ministério das Cidades e da Secretaria Nacional da Habitação em 2003.
.

Foto: Auditório atento as colocações de Arruda.
.
Algumas iniciativas de valorização da habitação de interesse social, como o Prêmio Caixa, foram questionadas por Arruda devido a ineficácia da sua implementação. Os trabalhos premiados dificilmente são edificados.
.
Cita como exemplo o projeto do arquiteto cearense Bruno Melo Braga que foi o vencedor em 2008 na categoria "Habitação Sustentável Multifamiliar em Áreas de Favelas", com o projeto de requalificação da comunidade Verdes Mares, em Fortaleza.
.
O arquiteto Ângelo Arruda criticou duramente a qualidade arquitetônica, a impessoalidade e a estandardização do modelo atual de moradia financianda pela Caixa. Instigando a reflexão crítica dos presentes sobre o tema, foi ovacionado pela platéia de arquitetos, engenheiros, técnicos e estudantes.
.
O primeiro dia encerrou com a impressão de que o XIII ENGEARQ acertou na escolha do tema e de que os próximos debates serão bastante acalourados.
.
1. Oliveira Júnior é arquiteto e professor de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O legado de Acácio Gil Borsoi

"A coerência interna e imutável da criação arquitetônica"

Marco Antonio Borsoi¹


.
Tentarei ser os seus olhos. E, também, o seu conhecimento e a sua experiência transmitidos ao longo de afetuoso convívio. A arquitetura como o centro do universo a reivindicar - mesmo desafiando sua tênue condição - seu lugar por excelência na construção do mundo

.


Foto: arquiteto Marco Antonio Borsoi

.

Um Borsoi conceitual emerge em relatos e lições vividos em meus tempos de faculdade, nos anos 70. Encontrar a coerência interna e imutável da criação arquitetônica, buscar a essência de uma vontade ou força ordenadora, verdadeiro diferenciador entre o que é arquitetura e sua inexistência implacável.

.

Nos interessa a raiz da composição, o nascimento fatal da arquitetura. É preciso educar o olhar, estimular a percepção a partir das lições do passado, das relações entre a arquitetura e a historiografia. Não por acaso, insistir na leitura dos tratados, de Giacomo Vignola, La regola delli cinque ordini (1562) à André Lurçat, Formes, composition et lois d’harmonie ( 1957). Ou a síntese brasileira na interpretação do mestre Lúcio Costa, "...a procura obstinada de justa medida", "...a intenção superior que seleciona, coordena e orienta em determinado sentido", tudo o que pode conferir à obra, não tanto ineditismo ou originalidade, mas seu caráter de permanência. E, para Mies Van Der Rohe, a forma é mais um processo de destilação do que propriamente de inspiração.

.

Toda essa reflexão assenta na assimilação de outro mestre, Le Corbusier, e sua apaixonada apologia dos traçados reguladores, que desde a Grécia os homens utilizam para correção de suas obras, satisfação de seus sentidos e pensamento matemático. Em Le Corbusier de Vers une Architecture, "o traçado regulador é uma garantia contra o arbitrário. Proporciona a satisfação do espírito".

.

Segundo Borsoi, o traçado regulador é a geometria oculta que nosso olho mede, reconhece e nos emociona.

.

Revela uma matemática sensível que estrutura o projeto, conduz à agradável percepção de ordem, de busca das relações proporcionais e harmônicas inerentes à arquitetura.

.

A formação modernista do arquiteto-Deus bauhausiano, manuseador das diferentes escalas de desenho da "colher à cidade", cede progressivamente ante a experiência mais vasta e integral do arquiteto-demiurgo, "a mão é um instrumento da mente", metaforizado no poema de Michelangelo. O arquiteto artesão e humanista, senhor pleno de seu ofício compositivo/construtivo, pode desenvolver-se e pressar-se na sua própria obra.

.

No Recife, Borsoi desenvolve e aperfeiçoa os princípios fundamentais de sua arquitetura. Defende uma arquitetura urbana diferenciada, com edifícios concebidos como obras autônomas, volumes soltos, quatro fachadas proporcionadas e detalhadas, bem ventiladas e iluminadas, como a solução tipológica de inúmeros prédios residenciais e comerciais construídos. Nesses edifícios, imaginação e criatividade são postas a serviço da elaboração de uma imagem contemporânea para a cidade, dando referência na paisagem e atendendo ao desejo de um usuário cada vez mais exigente.

.

Do Edifício Santo Antonio, coroando sua primeira fase de forte influência racionalista, aos manifestos inauguradores dos anos 60/70 (edifícios Mirage, Michelangelo e Portinari), até a singular montagem compositiva, contínua redefinição dos elementos arquitetônicos do Maria Juliana, no limiar dos 90, sua obra é pioneira por colocar o Recife no roteiro dos lugares dotados de marcos exemplares na passagem do Século XX.

.

Nos edifícios públicos, sedimenta o conceito de "obra acabada", exercitando uma metodologia projetual aberta a incorporação das contribuições interdisciplinares, com o arquiteto assumindo plenamente o lugar do ofício na coordenação e condução do processo, definindo idéias e procedimentos tecnológicos por meio do projeto. Do Fórum de Teresina (PI) ao Centro Administrativo de Uberlândia (MG), incluindo a atual, em construção, Assembléia Legislativa do Maranhão, a reflexão construtiva associa-se aos parâmetros de escala, modenatura, policromia e definição dos detalhes para sintetizar o caráter e o significado de uma obra de arquitetura.

.

Através da visão, da experiência e da maturidade, Borsoi enuncia seu conceito do fenômeno arquitetônico como algo distinto de outras formas de construção. O que distingue, em suma, a arquitetura é a intenção ordenadora expressa na essência de sua unidade, integridade e beleza. Ou, em suas próprias palavras:

"Para Aristóteles, a beleza reside na ordem e Platão, na relação dos números. Em ambos, algo é belo quando tem caráter e harmonia. Para mim, só é arquitetura quando sentimos emoção, dá aquele friozinho na espinha".

.

1. Marco Antônio Gil Borsoi, filho do arquiteto Acácio Gil Borsoi, é professor do curso de arquitetura da UFPE e formou-se em arquitetura em 1976 pela FAU/UFRJ.

.

Fonte: http://www.revistasim.com.br/asp/materia.asp?idtexto=8770

sábado, 14 de novembro de 2009

Alejandro Aravena, Charles Murray, Alfonso Montero, Ricardo Torrejón.

Torres Siamesas, Santiago, Chile









































.
Ficha técnica .
.
Arquitetos :
Alejandro Aravena, Charles Murray, Alfonso Montero, Ricardo Torrejón.
Colaborador:
Emilio de la Cerda.
Projeto 2003
Construção 2005

Localização:
Campus San Joaquin, Universidade Católica do Chile, Santiago, Chile.
Área
: 5.000 m²
Materiais: concreto, vidro, cimento e madeira nativa
Orçamento: US$ 700 x m² . .
.
Fonte:
www.alejandroaravena.com