quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Glauco Campelo

Terminal Rodoviário de João Pessoa
André Feitosa Martins Ferreira (1)
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Planta baixa térreo Terminal Rodoviário de João Pessoa
Planta baixa mezanino Terminal Rodoviário de João Pessoa


Cortes Terminal Rodoviário de João Pessoa

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As obras do novo Terminal Rodoviário de João Pessoa foram iniciadas em 1974 na administração municipal de Dorgival Terceiro Neto, mas os pessoenses e os visitantes da capital paraibana tiveram que esperar oito anos para o término da construção, e a nova estação Rodoviária foi inaugurada em 22 de janeiro de 1982, no governo de Tarcísio Burity.( A UNIÃO, janeiro de1982 ).
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A partir das cinco horas da manhã, os ônibus chegaram a plataforma, que foi lotada pelos usuários que rumavam para as diversas cidades do interior paraibano. Todos eles demonstrando uma certa alegria e surpresa com a beleza e grandeza da nova estação rodoviária já tão habituados com a falta de condições do velho prédio do terminal de ônibus, próximo a feira da primavera ( A UNIÃO, janeiro de1982 ).
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O novo Terminal Rodoviário de João Pessoa, que se constituía num dos mais modernos do nordeste, segundo as manchetes de jornais da época, como A UNIÃO, foi projetado pelo arquiteto paraibano Glauco Campelo e pelo arquiteto carioca Luiz Pinho ambos foram colaboradores de Oscar Niemayer.
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Campelo trabalhou com o Niemayer no Centro de Arquitetura da UnB em 1962 e no desenvolvimento do projeto da sede Mondadori, em Milão. Já Luiz Pinho na Argélia e em Paris. Desde 1975 mantém escritório com Glauco Campelo.(Revista Módulo- Edição Especial Arquitetura – Número 01 – Março de 1981 ).
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O Terminal Rodoviário de João Pessoa foi construído no vale do rio Sanhauá no bairro do Varadouro, localizado na rua Francisco Londres s/n, no centro antigo da cidade, em uma área alagada de mangue que teve que ser aterrada. Os arquitetos tiveram a simplicidade, funcionalidade e economia como objetivos na concepção do edifício. Além disso, a solução adotada para o Terminal permitiu a possibilidade de construção em etapas sem que interferi-se com o funcionamento da estação.
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O projeto vencedor do concurso para o Terminal Rodoviário de João Pessoa utiliza uma feliz combinação de telha auto-portante em aço pré-pintado sobre estrutura em concreto armado. A estrutura é constituída por pórticos, com vinte cinco metros de vãos e balanços de quinze metros, espaçados a cada dez metros e interligados por vigas de contraventamento nas extremidades dos balanços e no meio do vão, onde se localiza uma clarabóia (revista PROJETO, janeiro de 1981).
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Apesar de não possuir fechamentos laterais devido aos grandes beirais, a iluminação natural proporcionada pela clarabóia é insuficiente, tornando o ambiente escuro, sendo necessário em algumas áreas o uso da iluminação artificial durante o dia.
A volumetria resultante foi gerada pela necessidade de obter uma leitura plástica o mais simples possível, a linearidade da coberta, os balanços generosos e as grandes distâncias entre os pilares proporcionam a estrutura de concreto uma sensação de leveza que é característica do terminal.
O novo edifício, em momento algum, veio competir com a arquitetura do bairro do Varadouro ou com a paisagem do vale do rio Sanhauá. Mas, mesmo assim, se tornou um marco na arquitetura da cidade, expressando os ideais modernos aliando a forma e a função à vida urbana tão agitada.
O sistema estrutural e a forma com que o edifício se adaptou a topografia do terreno, permitiu que o programa se desenvolvesse em três níveis, com cotas variando entre 0,00, + 1,30 e -1,30 onde os acessos se dão com apenas um lance de rampa. O nível 0,00 é formado pelo local de chegada dos usuários, agências, bilheterias, estacionamento e praça de táxi. Na cota -1,30 estão localizados o salão de espera, banheiros, setores de operação, administração e serviço. No mezanino + 1,30, se localiza toda parte comercial, com lojas, lanchonetes e restaurantes.
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A nova estação possui trinta e duas plataformas, dois portões de embarque e um de desembarque, uma cabine para controle de chegada e saída dos ônibus, trinta e três guichês para compra de passagens, um setor de informações; dois boxes para embarque de bagagens; para assistência social e serviços de urgência médica; sala para juizado de menores; para policia rodoviária; DER e DNER. Um setor administrativo; posto telefônico; agencia dos correios; um setor de guarda volumes; todo mobiliário, bancos telefones públicos, bebedouros e seis banheiros masculinos e femininos. No piso superior funciona lojas; restaurantes; lanchonete; bancas de revista (A UNIÃO , janeiro de 1982).
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As generosas marquises com 15 metros de balanço, protegem de um lado o acesso ao terminal e a aglomeração de pessoas para a aquisição de suas passagens em dias de grande demanda. Do outro lado proporciona proteção ao desembarque e embarque de passageiros, permitindo que o usuário tenha acesso ao ônibus protegido das intemperes.
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Notas
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1 Este texto foi extraído a partir da monografia de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo do UNIPÊ realizada pelo aluno do , André Feitosa Martins Ferreira de 2004, sob a corientação do Prof. Marcos Santana.

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