domingo, 18 de setembro de 2011




João Pessoa vai participar no dia 22 de setembro da Jornada Mundial “Na Cidade Sem Meu Carro”, que procura sensibilizar as pessoas para a utilização de meios de transportes mais sustentáveis, proporcionado cidades mais saudáveis, sem poluição e com acessibilidade.

Enquanto a população de João Pessoa passou de 330 mil habitantes para quase 675 mil entre 1981 e 2007; no mesmo período a frota de veículos da Capital aumentou 451,7%. Em toda a Paraíba, a frota de veículos cresceu 245,4%, entre 1990 e 2007. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), esse foi o quinto maior crescimento registrado do Nordeste e o 14º do País (imagine os que estão em primeiro!).

Em cidades como João Pessoa, Campina Grande e Cajazeiras, segundo o Detran, existe um veículo para cada quatro habitantes!!!!

A carta de adesão, onde o signatário se compromete a cumprir e seguir orientações para realizar o evento, foi assinada no dia 6 deste mês pelo superintendente de Transportes e Trânsito, Nilton Pereira de Andrade, após determinação do prefeito da Capital, Luciano Agra.

“Na Cidade Sem Meu Carro” é um movimento internacional em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida, que nasceu na França e se espalhou por várias cidades do mundo. No Brasil, o evento foi trazido pelo Instituto de Mobilidade Sustentável Ruaviva, e conta com a participação de mais de 60 municípios.  O objetivo principal desta iniciativa é instigar a reflexão sobre o modelo de mobilidade vigente no país, onde o modo individual de locomoção, o automóvel, ganha cada vez mais espaço em detrimento aos modos alternativos de transportes como ônibus ou bicicleta.

O uso excessivo do automóvel traz enormes prejuízos não só para o meio ambiente como também diminuiu a qualidade de vida da população. A poluição do ar, poluição sonora, congestionamentos e estresse são algumas dessas conseqüências.

No próximo dia 22, milhões de pessoas em todo o mundo vão participar deste grande movimento, deixando seus carros em casa e indo ao trabalho ou à escola de ônibus, bicicleta, caminhando ou pegando uma carona solidária. Por isso a partir desta sexta a PMJP desencadeia uma campanha que tem slogan “Na Cidade Sem Meu Carro. Faça diferente. Faça a diferença”, para conclamar os motoristas de veículos particulares a deixarem seus carros na garagem e buscar meios mais sustentáveis para chegar ao destino desejado.


Pense nisso: Um ônibus transporta cerca de 60 pessoas e ocupa o espaço de dois carros, que leva em média 1,5 pessoas.

Programação – Em João Pessoa, a Prefeitura Municipal, por meio da STTrans, vai realizar atividades no Centro da cidade para chamar a atenção das pessoas de como um simples ato pode melhorar a qualidade de vida.

Entre as ações propostas para o dia está o bloqueio da Avenida Visconde de Pelotas que será transformada em uma rua de lazer e contemplação, reservada somente para pedestres durante todo o dia. Na Praça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Réis), no trecho entre a lateral da Assembléia Legislativa e a Rua Barão do Abiai, haverá oficinas de arte, apresentações de teatro, música e dança, jogos educativos, painéis ilustrativos e um passeio ciclístico.

As escolas da rede municipal de ensino  também vão participar do evento no Ponto de Cem Réis. Os estudantes vão apresentar e expor um vasto material com informações relacionadas ao trânsito.

Na Avenida Epitácio Pessoa, entre a Praça da Independência e o entroncamento da Avenida Rui Carneiro, uma faixa exclusiva será destinada aos ônibus. Nesse dia, os pessoenses terão oportunidade de redescobrir a sua cidade, seu patrimônio, num ambiente mais saudável e aprazível.

A STTrans já definiu com as  operadoras de transportes coletivos o reforço da frota, aumentando a disponibilidade e a frequência dos ônibus, de forma a não restringir  a mobilidade das pessoas.

“Queremos provocar uma reflexão sobre a presença determinante dos automóveis nas cidades, os acidentes de trânsito, aumento da poluição e a valorização da cultura individualista, o ruído e o congestionamento do tráfego resultante da dependência dos automóveis particulares na mobilidade dos centros urbanos”, disse Nilton Pereira, ao falar sobre o evento. Ele convocou a população a organizar ações em seu bairro, escola e trabalho para aderir ao movimento e fazer a diferença no dia 22.

Melhorias – Na opinião de Nilton Pereira, a participação de João Pessoa “Na Cidade Sem Meu Carro” mostra a preocupação do poder executivo em despertar nos cidadãos a consciência sobre o uso racional e solidário do automóvel.

Essa conscientização também vem na forma de medidas a curto e longo prazos que a PMJP está tomando para organizar o trânsito e o transporte coletivo na cidade. O prefeito Luciano Agra lançou o Programa “Caminho Livre”, um conjunto de obras e ações que vão ampliar, duplicar e alterar sentido de vias em seis áreas da cidade para aumentar a capacidade de circulação dos veículos, disciplinar estacionamentos, aumentar o espaço para pedestre, reduzir congestionamentos e tempo de viagem dos ônibus.

Luciano Agra também apresentou ao Ministério das Cidades o Plano de Mobilidade Urbana, que irá modificar a estrutura do sistema de transporte público, priorizando a circulação dos ônibus nos corredores e elevando a qualidade do serviço para o usuário.  João Pessoa registra cerca de 240 mil veículos em circulação.

Parcerias- O evento já conta com vários parceiros que estão apoiando a idéia encampada pela PMJP, entre eles, com a Câmara dos Diretores Logistas (CDL), Associação das Empresas de Transportes Coletivos (AETC-JP), Movimento pela Paz (Movpaz), Embratel e a Porto Seguro.

Fontes:
http://babeldasartes.wordpress.com
http://meutransporte.blogspot.com

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Networks - relacionamentos verticais

Como os jovens podem criar boas conexões profissionais?
Por Yoshio Kawakami¹

O chamado "Gap entre gerações" sempre existiu e sempre foi um obstáculo adicional nas relações profissionais. Mesmo com a atual geração "Y", muito mais descolada e independente, esta distância entre gerações continua sendo uma barreira.


Uma das fases mais críticas para os jovens é a da sua iniciação no mundo profissional. A sua entrada deveria ser natural, com interesse das empresas na aquisição de jovens profissionais abrindo portas para os jovens recém formados ou ainda com poucos anos de experiência.


Ocorre que nem sempre na região, na cidade, no setor desejado ou até mesmo nas empresas desejadas, existe um equilíbrio entre a demanda e a oferta, o que acaba criando um grupo de "excedentes". 



Nestas circunstâncias, o que seleciona e define os "escolhidos" pela empresa ou pela organização desejada? Já pararam para pensar neste processo? O lado curioso e ao mesmo tempo cruel deste processo está no critério que é muitas vezes o divisor de águas no processo de seleção.


Não é o conhecimento técnico adquirido na escola e nem a performance escolar que muitas vezes determina o escolhido. Parece-me que prevalece no mundo todo um fator alheio ao processo de formação dos jovens. 

É a capacidade de mimetizar a comunicação e o comportamento dos adultos mais experientes e mais velhos num ambiente ainda desconhecido ou pouco conhecido.


Embora você possa achar que o processo é pouco justo, ou no mínimo estranho às suas crenças sobre competências e conhecimentos, os processos seletivos estão mais próximos desta avalização da sua prefiguração como profissional. De que tratam os exercícios seletivos, como as entrevistas e as conhecidas dinâmicas de grupo, senão de avaliar a projeção do seu comportamento no futuro ambiente de trabalho?


Um dado que corrobora esta ideia de que possivelmente a sua capacidade de emular um profissional mais experiente no ambiente de trabalho é uma vantagem significativa está em diversas publicações recentes sobre a entrada da geração "Y" no mercado de trabalho.


Com toda informação disponível e com a democratização dos cursos superiores, aceita-se a idéia de que a formação é garantia de acesso a melhores oportunidades profissionais. 

No entanto observa-se que os jovens oriundos de famílias já envolvidas com negócios e com o ambiente corporativo parecem possuir uma vantagem adicional na busca de oportunidades profissionais.


Esta maior capacidade de competir é representada de forma significativa pela familiaridade que possui com o comportamento dos profissionais estabelecidos. Ao mimetizar melhor o comportamento e a linguagem usual do ambiente de trabalho, correspondem melhor às expectativas dos selecionadores. 


Uma vez mais estamos discutindo o valor da comunicação e do relacionamento, que contribuem de forma indireta, porém valiosa.


Uma recomendação aos jovens poderia ser de "verticalizar" mais as sua relações, estabelecendo contatos com pessoas de gerações anteriores. 

Tanto para familiarizarem-se com a linguagem e com o comportamento destas pessoas, como para estabelecerem fontes de informações e contatos práticos, que nunca são escritos ou divulgados.


Neste aspecto, as relações da família com outras famílias, círculos sociais mais amplos, relações profissionais, contatos comerciais e outros contatos tendem a ser muito valiosos, embora pouco reconhecidos pelos jovens. Os pais mais conscientes destas conexões, já estimulam o envolvimento dos jovens com estes contatos do mundo profissional. 


A relação horizontal, dentro da sua faixa de idade é algo natural, proveniente das amizades e dos interesses comuns, não havendo muita necessidade de um exercício específico. 

Já uma relação vertical, além da sua faixa de idade requer um exercício de frequentar os ambientes e as ocasiões adequadas.


Creio que a receita vale para todos nós no desenvolvimento das nossas carreiras e dos nossos interesses profissionais e pessoais, mas no momento crítico da iniciação profissional, vale muito para os mais jovens.

1. YOSHIO KAWAKAMI é presidente da Volvo Construction Equipment Latin America


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Empresa espanhola oferece passe vitalício de trem em troca de carro
por Redação Springwise


A nova linha de trens elétricos da Tranvía, em Murcia.  
Foto:MΣTRØMURCIΔ


Para incentivar o uso do transporte público, a prefeitura de Murcia fez uma proposta interessante aos seus habitantes: trocar um automóvel por um passe vitalício para transitar pela novíssima linha de trens elétricos da cidade. Bastava aos interessados ter um veículo em boas condições, com todos os tributos pagos, e fazer uma inscrição online no site da Tranvía.

Essa iniciativa marcou a primeira fase de uma campanha com o objetivo de diminuir a circulação de carros em suas ruas. Passado o período de inscrições, os automóveis trocados pela população ficaram expostos em uma das ruas das cidades e foram gradualmente desmontados por mecânicos convidados pela companhia de trens até desaparecerem completamente daquele cenário. Para tornar esse processo mais “interativo”, uma peça dos carros era retirada a cada comentário recebido no Facebook ou no Twitter da campanha. A companhia também tentou chamar a atenção para a dificuldade de se achar uma vaga para estacionar, instalando veículos em locais inusitados do centro da cidade. Tinha até um automóvel empilhado em cima de outro.

Toda essa “promoção” parece ter tido efeito. Durante seu primeiro mês de funcionamento, os trens elétricos de Murcia, sétima maior cidade da Espanha, receberam em média 4,5 mil pessoas por dia – resultado tido como positivo pelo Conselho dos Transportes – e percorreram mais de 66 mil quilômetros, de acordo com dados do Município. Outras duas linhas deverão ser lançadas entre 2014 e 2022, e o governo pretende continuar o incentivo ao uso do transporte público, mas terá muito trabalho pela frente. Estudos apontam que, hoje, 80% da população murciana se locomove por meio de veículos privados.

Uma das estratégias para consolidar a utilização dos trens elétricos tem sido conquistar os cidadãos pelo bolso. Para tanto, são oferecidos descontos para usuários que privilegiem esse meio de transporte. Enquanto o bilhete normal custa 1,35 euros, estudantes chegam a pagar 20 euros por uma carteirinha que dá direito ao uso ilimitado dos trens pelo período de um mês, e quem tiver uma família numerosa, por exemplo, pode se cadastrar para comprar um pacote de bilhetes pagando apenas 0,50 euros por viagem.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Arquitetura & realidade

A  TERCEIRA IDADE PEDE PASSAGEM
José Wolf 

Celebrado por tantas décadas como o país mais jovem do mundo, o Brasil  envelheceu. Segundo dados do Censo do IBGE de 2010 divulgados pela mídia o número de idosos já supera o de crianças com até quatro anos no país.   

Ou seja cerca de 20 milhões de pessoas, numa população de mais de 190 milhões de habitantes, têm cerca de 60, 70  anos ou mais, ampliando a faixa etária da chamada terceira idade. 

Faixa enriquecida por arquitetos-ícones e críticos, como  Gasperini, Miguel Pereira, Carlos Bratke, Paulo Mendes da Rocha, Ruy Ohtake, Alberto Xavier, Sérgio Teperman, Zanettini,  Alberto Botti (SP),  Assis Reis, João Filgueiras Lima (BA), Paulo Conde (RJ) , Mílton Monte (PA), Severiano Porto (AM), Mario Di Lascio (PB), Carlos Fernando Pontual (PE), Paulo Zimbres (DF), Jaime Lerner e Joel  Ramalho (PR).    

Além, é claro, do jovem ancião Oscar Niemeyer. Que chegaram, conforme celebraria  o poema “Vida obscura” , do poeta  Cruz e Souza,  ao topo do saber. Muitos desses mestres da terceira idade, por sinal foram ou são  professores de alunos que integram a chamada geração digital twitter.  

Terceira idade? Segundo alguns, a que começa aos 50 anos, para outros, aos 60.  De qualquer forma, a exemplo de outros intelectuais, o cantor Caetano Veloso, autor da música sobre o  apolíneo “Menino do Rio” confessou numa entrevista à revista “Caros Amigos”:  envelhecer   “é uma merda”, num país com tantos  preconceitos discriminadores camuflados contra negros, gays, cadeirantes. portadores de deficiência física, obesos, nordestinos, autistas e idosos, vítimas de uma espécie de racismo etário etc.. E até contra crianças vítimas do famoso bullying. 

O resultado da pesquisa do IBGE impõe, sem dúvida, aos arquitetos e urbanistas um novo enfoque quanto ao ofício do fazer arquitetônico e, principalmente, em relação ao projetos urbanísticos.

Pra começar, prestem atenção na condição das calçadas esburacadas e desníveis irregulares de muitas cidades, objeto do mobiliário urbano e, também, da principal reclamação dos idosos. Calçadas invadidas por camelôs e pelo lixo, que dificultam a mobilidade e circulação dos idosos e portadores de deficiência física, além das escadas  íngremes e ausência de rampas nos edifícios públicos majestosos, incluindo muitos prédios residenciais de grife, objeto da desenfreada especulação imobiliária.

O arquiteto paraibano Gilberto Guedes, por exemplo, reconhece, com humildade: nunca havia levado em conta  esse problema até que um dia quebrei o pé. E, a partir daí, comecei  a mudar meu viés projetual !

Alberto Xavier professor da escola Belas Artes, em São Paulo, confessa que a partir dos 70 anos, começou a enfrentar pela idade  problemas com a direção da escola. Mas, com humor e ironia, sugere: - Wolf, que tal pensarmos na Quarta idade?

Até o instigante Peter Eisenman, ao passar por São Paulo, nos anos 90, revelou numa palestra que, ao chegar aos 60, decidiu mudar tudo: casa, companheira e, até, a linguagem arquitetônica, investindo no deconstrutivismo. Ou seja: destruir para reconstruir.  

Um tema, enfim, em pauta, que faz parte do chamado “desenho universal”, da acessibilidade e da sustentabilidade humana, cujos adeptos defendem um novo enfoque projetual  para a terceira idade. Que implica, segundo analistas, uma espécie de “cesta básica”, com  algumas  soluções e propostas mínimas ergonomicamente corretas, entre as quais:
- Barreiras arquitetônicas: em lugar de escadas, rampas. A exemplo de projetos referenciais elaborados pelo arquiteto Acácio Gil Borsoi, como a residência Cassiano Ribeiro, em João  Pessoa. Ou do edifício Louveira, de Vilanova Artigas, em São Paulo, com blocos conectados por rampas;
- Circulação residencial: quanto mais livre de móveis pesados tipo “Casas Bahia”, melhor; 
- Pisos:  atenção aos pisos, principalmente dos banheiros,  que devem ser antiderrapantes e foscos. Espaço onde , segundo estatísticas, costuma acontecer o maior número de acidentes e quedas e fraturas de idosos. Além disso, deve-se evitar pisos e paredes supercoloridos, que podem ofuscar a frágil visão do idoso;
- Barras de apoio, que devem ser instaladas, de preferência,  nos boxes dos banheiros e, também, ao lado do vaso sanitário, que deve ser elevado;
- Recomendação-  O idoso deve contar sempre a seu alcance com uma lanterna, para orientá-lo nas idas noturnas ao banheiro;
- Portas: com vão mínimo de 80 cm; 
- Fechaduras: maçanetas em forma de alavancas,  mais fáceis de se manusear;
- Paisagismo : se houver, algum jardim doméstico, recomenda-se evitar plantas rasteiras, nas quais o idoso poderá se enroscar e tropeçar;
- Acessibilidade: propor, na entrada e acesso dos edifícios, rampas, rebaixamentos e corrimões, capazes de facilitar a circulação e mobilidade de idosos e cadeirantes;
- Mobiliário: quanto ao mobililário, recomenda-se evitar móveis, como mesas, com quinas pontiagudas, que poderão ferir idosos e, inclusive, crianças; E investir em cadeiras, camas e sofás ergométricos:
- Decoração: evitar tapetes de feltro ou tecido nos quais o idoso poderá se escorregar, substituindo-os por tapetes aderantes de borracha ou carpete.

Desafios -  Esse cenário demográfico sexagenário brasileiro abre para os designers e os profissionais da Arquitetura outros tipos de desafios projetuais que nem a celebrada Arquitetura Moderna Brasileira previu. 

Além de desafiar a indústria nacional da construção e moveleira para investirem em novos nichos de componentes e materiais  capazes de atender às demandas e necesidades específicas desse emergente e promissor universo sexagenário, que pede passagem.

Em síntese, sexagenário, não se esqueça do conselho do eterno roqueiro Bob Dylan, do LP “Planet Waves”: forever young! Seja sempre jovem, apesar das rugas!    
        

sábado, 18 de junho de 2011

Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos

Fortaleza no centro das discussões sobre arquitetura contemporânea latino-americana
Oliveira Júnior¹

Na segunda semana de junho, entre os dias  8,  9  e  10,  aconteceu,  em  Fortaleza,  um  dos  mais  importantes  eventos  brasileiros  de arquitetura dos últimos anos: o "Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos - uma inserção numa realidade periférica". A organização, a cargo de um grupo de novíssimos arquitetos cearenses, teve a brilhante ideia de reunir 11 jovens arquitetos da América do Sul para discutir, através da produção dos seus escritórios, um recorte da nova arquitetura latino-americana. O perfil dos palestrantes envolvia uma ligação com a academia através da docência, a participação e o destaque em concursos públicos de projeto e premiações, além de uma produção que ainda não estivesse consagrada pela mídia especializada.


Comissão organizadora: arquitetos Bruno Perdigão, Marcelo Bacelar, Igor Ribeiro, Epifânio Almeida, Davi Ramalho, Bruno Braga, Lara Lima e o administrador João Victor 

Auditório da Fábrica de Negócios, Fortaleza-CE.

O auditório da Fábrica de Negócios completamente lotado denotava o enorme interesse dos arquitetos e estudantes em conhecer como a nova geração de profissionais  incorpora,  em  sua  prática  projetual,  o  discurso  teórico  fundamentado  em  uma  identidade  latino- americana.  

O  professor  Fernando  Lara  destacou,  em  sua  vídeo-conferência  de  abertura,  que  a  América  Latina  sempre  foi  um  campo  de experimentações  para  a  Europa  e que  isso  resultou  em  diversos  processos  de  "transculturação";  ou seja,  o  impacto  entres  duas culturas  gerando novos  padrões para  ambas; e  ressaltou que,  de certa  forma, esse  processo  contribuiu para  forjar a  diversidade cultural  do nosso continente. 

Lara afirmou que a aproximação entre os arquitetos latino-americanos é recente e que há algumas décadas a relação da arquitetura com o exterior se dava principalmente com a Europa e os EUA.


Fernando Lara - Brasil / Austin, Texas - EUA

Clique e assista o vídeo de abertura do Fjal com Fernando Lara


Esse momento histórico, em que a arquitetura latino-americana desperta para suas particularidades geográficas e procura afirmar uma identidade própria sem perder de vista a contextualização global, é extremamente rico e complexo. 

Nesse sentido, o Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos foi extremamente bem sucedido porque conseguiu confrontar modos de pensar o espaço construído tão díspares e tão afins. Em síntese, fica evidente na exposição dos trabalhos de todos os escritórios que, em última instância, o contexto geográfico, em todas as suas variáveis, é sempre quem dita a forma de espacialização e a morfologia arquitetônica. 

Álvaro Puntoni - SP

Na abertura do FJAL, o arquiteto Álvaro Puntoni faz um breve passeio pela selva de pedra chamada São Paulo para contextualizar sua obra carregada da tectonicidade do concreto em que a busca pela construção de espaços vazios talvez seja uma súplica implícita por um espaço de convivência tão caro numa cidade super adensada. 

Casa do Morro do Querosene - SP (Álvaro Puntoni)

Al Borde - Pascual Gangotena e David Barragan

Na segunda palestra o Al Borde, representado por Pascual Gangotena e David Barragan sensibilizaram a audiência com uma prática que aproxima a  pesquisa  acadêmica  das  necessidades  da  população  menos  favorecida  e  geralmente  excluída  do  acesso  aos espaços construídos com qualidade e dignidade. Para o Al Borde, o importante é fazer as perguntas certas para "resolver os problemas da maneira mais básica, fundamental e simples possível".  A simplicidade da sua obra despertou-nos um sentimento do poder transformador da arquitetura. 

Escuela Nueva Esperanza

Luciano Andrades e Silvio Lagranha (Studio Paralelo), Andrés Gobbas e Maurício Lopes (MAAM)

No segundo dia, o início da tarde foi dedicado às apresentações do Studio Paralelo (Brasil) e do MAAM (Uruguai) que desenvolvem um trabalho colaborativo apoiado das tecnologias de comunicação e informação com foco nos processos de configuração morfológica dos projetos. As afinidades entre os dois escritórios já lhes renderam a conquista de diversas premiações em concursos, a exemplo da sede do CREA-PB em Campina Grande. 


Yuri Vital - SP

A participação do paulista Yuri Vital foi pontuada com projetos que buscam valorizar o paradoxo entre o peso e a leveza da arquitetura.

Ancorada na tradição da escola paulista de Artigas e Mendes da Rocha, a obra de Vital explora um repertório mínimo de materiais, como o concreto, o aço, o vidro e os cobogós, apresentados sempre que possível em seu aspecto natural. Fernando Lara destaca a importância da "Box House" como paradigma de qualidade em arquitetura de baixo  custo e faz uma  provocação quando contesta, em seu vídeo de abertura do Fjal, a aplicação do acabamento em reboco sobre os blocos de concreto.        .       


Capela GRU - SP


Oliveira Júnior e Davi de Lima (7S34W) - PB

A última palestra da quinta-feira foi a do escritório 7S34W, representados por mim (Oliveira Júnior) e Davi de Lima. A exposição enfatizou a estreita relação entre a geografia e a identidade arquitetônica local pautadas nas reflexões teóricas de Rossi, Lamas e nas recomendações do "Roteiro para construir no Nordeste", de autoria  do  arquiteto  pernambucano  Armando  de  Holanda. As obras e projetos desenvolvidos predominantemente em concreto, em madeira ou em aço representaram um recorte cronológico e tectônico da produção do 7S34W e denotaram a versatilidade da produção dos arquitetos. Nas palavras de Fernando Lara as obras de Oliveira Júnior representam “uma arquitetura brava, uma arquitetura forte. Lê o que tá se passando no mundo e traduz em materialidade, em tectonicidade pra construtividade” local sem se render a  ela. 

Residência MP, João Pessoa/PB.

Pedro Rivera e Pedro Évora

A primeira apresentação do último dia do FJAL foi do Rua Arquitetos. Pedro Évora e Pedro Rivera trouxeram para o Fórum "flashes" da sua experiência urbanística na  cidade do Rio de Janeiro. Com um  trabalho ora centrado nas questões sociais  e periféricas e, outras  vezes, na efemeridade dos eventos urbanos. Atentos à complexidade dos fatos sociais, o Rua Arquitetos olha a cidade como faria Ole Bauman  quando  ressaltou  no  19º  CBA,  ano  passado  no  Recife:  "onde  há  uma  necessidade,  há  uma  oportunidade".  Com  o  jeito "malandro" do bom carioca, os Pedros deixaram seu recado no FJAL de que "quem sabe faz a hora não espera acontecer" (Vandré). 


Motolab ESDI - RJ

Federico Mesa - Plan B

Uma das características  fortes no trabalho apresentado  pelo colombiano Frederico Mesa, do  Plan B, foi o  processo de investigação morfológica a partir  da variabilidade de uma unidade  formal pré-definida que tem  na obra do Orquídeograma seu  exemplar mais bem sucedido. Os  projetos do Plan  B, mesmo  diante de um  claro rigor racional,  modular e  construtivo, procuram explorar  a dinamicidade morfológica espacial e volumétrica em detrimento de uma organização arquitetônica cartesiana. 


Orquideorama - Medellin, Colombia

Alexandre Brasil e Bruno Santa Cecília

   
A penúltima conferência do Fjal foi brilhantemente conduzida por Alexandre Brasil e Bruno Santa Cecília dos Arquitetos Associados. O grupo contextualizou sua formação em meio à rebeldia mineira dos "pós-modernistas" Éolo Maia, Jô Vaconcelos e Sylvio de Podestá de um lado,  e as  referências modernistas  "clássicas" cariocas  e paulistas do  outro. As  principais obras  apresentadas estão  em Minas Gerais orbitam em torno da capital Belo Horizonte.  

A relação dos arquitetos com a academia é explícita tanto na postura crítica e conceitual das  intervenções, como na maneira didática de explanar  suas  idéias.  O  destaque,  sem  sombra  de  dúvidas,  foi  para  o  conjunto  arquitetônico  do  Inhotim,  onde  hierarquicamente  a natureza se sobrepõe à arquitetura e fica clara a intenção dos arquitetos em mimetizar a construção com a paisagem para minimizar o impacto visual.     

 
Galeria Miguel Rio Branco - Inhotim

Sebastián Irarrázaval

O fechamento do Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos ficou sob a responsabilidade do chileno Sebastián Irarrázaval que iniciou com um breve panorama sobre as condições políticas, econômicas  e sociais que forjaram o sucesso  da arquitetura contemporânea chilena, enfatizando  a ascensão de  uma nova elite que  buscou afirmar-se por  meio da construção de  novos signos e  edifícios que representassem seus ideais e a diferenciassem da classe dominante anterior.  

A seleção das obras foi comentada através de vídeos que tinha a clara intenção de revelar a arquitetura como um "organismo vivo" e a dinamicidade na apropriação dos espaços pelos seus usuários.  Para Irarrázaval importa mais a materialidade na arquitetura que sua relação com o lugar e as tradições locais.  

Sebástian Irarrázaval encerrou o Fjal deixando no ar uma provocação de que o abandono das tradições é um ponto fundamental para a construção de uma nova arquitetura. 


Casa Las Palmas - Chile

Após três dias de intenso intercâmbio cultural e arquitetônico, fica  a certeza de que todos saíram ganhando deste fórum. Durante esse período, a imprensa cearense difundiu maciçamente o evento e realizou diversos debates sobre o papel dos arquitetos e urbanistas, das universidades e do poder público na qualificação dos espaços urbanos e o impacto direto sobre a vida dos cidadãos.  
O sentimento entre os participantes é o de que se leva na bagagem muito mais do que se trouxe para compartilhar, afinal "o todo é maior que a soma das partes". 

Fica  a esperança  de que  os conhecimentos  compartilhados sejam  multiplicados e  que a  semente lançada  no Fjal  seja replicada  em outras partes do país e da América Latina. 
À imprensa especializada cabe o papel de fazer reverberar o conteúdo geral do Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos para que sejam agregados outros nomes e outras possibilidades à discussão de uma ou de várias identidades arquitetônicas latino-americanas. 






Palestrantes do FJAL: Sebástian Irarrazaval, Yuri Vital, Pedro Évora, Pedro Rivera, David Barragan, Frederico Mesa, Pascual Gangotena, Maurício Lopes, Davi de Lima, Bruno Santa Cecília, Luciano Andrades, Silvio Lagranha, Alexandre Brasil, Oliveira Júnior e Andrés Gobbas.


Nota 
1. Oliveira Júnior é arquiteto e urbanista. Graduado pela Universidade Federal da Paraíba e mestre em Engenharia Urbana pela mesma instituição.  Professor  do  Curso de  Arquitetura  e  Urbanismo  do  Centro Universitário  de  João  Pessoa  –  Unipê, nas  disciplinas  de  Projeto Arquitetônico e Desenho Urbano. Diretor do escritório 7S34W Studio, onde desenvolve projetos de arquitetura e de desenho urbano. 

Fotos:  
A maior parte das imagens é de autoria do 7S34W 
Observação: algumas imagens foram coletadas nos sites dos próprios arquitetos e os direitos autorais são exclusivos dos seus autores.   

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Entrevista com Yuri Vital

Em um bate papo descontraído o paulista Yuri Vital fala do início da carreira, das referências projetuais e dos escritórios onde colaborou antes de alçar vôo solo. O primeiro projeto importante foi a "Box House", que recebeu diversos prêmios e alavancou sua carreira. Esse jovem e talentoso arquiteto é um exímio desenhista e um ser humano extraordinário. Na semana passada participou do Fórum Jovens Arquitetos Latino-Americanos e encantou a todos com sua energia e senso de humor aguçado. 
Para conhecer um pouco mais da sua personalidade assistam ao vídeo.





Créditos:
Vídeo publicado no Youtube por Talita Veronezi

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Introdução à Teoria da Sintaxe Espacial

CURSO DE EXTENSÃO

Ministrantes  
Prof. Dr. Frederico Holanda - UnB 
Prof. Dr. Luiz Amorim - UFPE 
Profa. Dra. Edja Trigueiro - UFRN


Carga horária  30 horas   Período  2011.1 

Coordenação  Profa. Dra. Nelci Tinem PPGAU/UFPB 


Ementa  
- A Teoria da Sintaxe Espacial como reflexão no âmbito das relações entre arquitetura e comportamento, particularmente quanto ao elemento-fim da arquitetura, o  espaço.  Breve resgate histórico destas relações. Configuração arquitetônica, em todas as escalas – do espaço doméstico ao metropolitano – e suas relações com o modo de estar (ou não) nos lugares, e o modo de as pessoas locomoverem-se por eles. Implicações disto para a sociedade democrática. Transformações morfológicas recentes, a antiurbanidade do Movimento Moderno e reações recentes na direção do resgate da urbanidade. 

Programa 
20/06 (segunda-feira) 
As 08:00 horas 
Palestra 1: Introdução a Sintaxe Espacial 
Prof. Dr. Frederico de Holanda

20/06 (segunda-feira) 
As 10:00 horas 
Palestra 2: Arquitetura como variável independente 
Prof. Dr. Frederico de Holanda 

20/06 (segunda-feira) 
As 14:00 horas 
Palestra 3: (Des)continuidades no espaço de moradias e modos de vida cambiantes 
Profª Drª Edja Trigueiro 


21/06 (terça-feira) 
As 08:00 horas 
Palestra 4: O problema tipológico 
Prof. Dr. Frederico de Holanda

21/06 (terça-feira) 
As 10:00 horas 
Palestra 5: Continuação crítica do moderno 
Prof. Dr. Frederico de Holanda 

21/06 (terça-feira) 
As 14:00 horas
Palestra 6: Confluência e congruência de culturas distintas na construção do morar cotidiano  
Prof. Dr. Luiz Amorim 

22/06 (quarta-feira) 
As 08:00 horas 
Palestra 7: Código arquitetônico individual: um estudo de caso 
Palestra 8: 10 mandamentos para a teoria e a prática arquitetônicas 
Prof. Dr. Frederico de Holanda 

22/06 (quarta-feira) 
As 10:00 horas 
Palestra 9: A síntese de Brasília  
Prof. Dr. Frederico de Holanda 

22/06 (quarta-feira) 
As 14:00 horas 
Mesa Redonda com a participação dos três ministrantes 
Sintaxe Espacial: possibilidades e perspectivas  


Miores informações:

Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo - Universidade Federal da Paraíba 
Centro de Tecnologia - Campus Universitário - Castelo Branco - CEP 58.051-970 - João Pessoa - PB - Brasil 
Fone: + 55 (83) 3216-7913 e-mail: ppgau@ct.ufpb.br – site: www.ct.ufpb.br/ppgau