quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Enfim, CAU é sancionado!

Presidente Lula sanciona lei que cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo
Brasilia-DF, 17:45h, do dia 30/12/10.


O Presidente Lula acaba de sancionar a Lei que cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo no Brasil, nos Estados e no Distrito Federal na presença das entidades nacionais dos arquitetos e urbanistas.
Uma grande vitória de uma luta que se iniciou há mais de cinquenta anos.
A Lei será pulicada amanhã, 31/12/2010, no Diário Oficial da União.
Aguarde maiores informações no Boletim Especial do SARJ.

Do Palácio do Planalto
Jeferson Salazar
Presidente do SARJ

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Novos ares na política paraibana

As surpresas de 2010
Reginaldo Marinho


Mais um ano chega ao fim. É nessa época que fazemos balanços parciais de nossa existência e, contaminados pelo espírito do Natal, nos tornamos mais solidários. As reflexões são naturais no período natelino. A contabilidade dos erros e acertos permite a evolução espiritual de cada um de nós. Confesso que tenho errado menos, mesmo sem querer ser tão certinho.

É bem melhor quando conseguimos transcender esse balanço individual e compreender contabilidades de maiores dimensões. As empresas, as sociedades, as cidades, os países e até o planeta tem a sua contabilidade. A prova disso é conscientização acelerada, no planeta inteiro, dos fenômenos que causam as mudanças climáticas. As contas estão desfavoráveis ao equilíbrio do planeta.

As mudanças climáticas exigem que cada cidadão do mundo assuma a sua parcela de responsabilidade para frear a degradação ambiental.

Voltemos às reflexões paraibanas. No âmbito da política, tivemos duas gratas surpresas. Uma delas foi a brilhante atuação do senador Roberto Cavalcanti no Senado Federal. No período de dois anos, ele fez 93 pronunciamentos na tribuna do Senado. Foi o relator de 186 matérias versando sobre temas variados e apresentou 22 projetos de lei.

Esses números já seriam suficientes para colocar o senador noviço em evidência aqui e alhures. Quando o Superior Tribunal Federal, por um ato imprudente de seu ex-presidente Gilmar Mendes, desregulamentou a profissão do Jornalismo, o senador Roberto Cavalcanti foi um dos primeiros políticos paraibanos a assinar a PEC 33/2009, conhecida por PEC do diploma. Sendo o dono do poderoso Sistema Correio de Comunicação, o senador ficou do lado de seus operários da comunicação e honrou a categoria dos jornalistas.

O senador não parou de surpreender. Ele empenhou-se em enfrentar um perigoso tentáculo do sistema financeiro nacional, o dos cartões de crédito. Um instrumento lesivo à economia popular que opera às margens do sistema financeiro, sem regulamentação alguma.

A outra surpresa ficou por conta do arquiteto e urbanista Luciano Agra. Luciano foi escolhido pelo ex-prefeito Ricardo Coutinho para mexer com a fisionomia da capital paraibana. Como secretário de Planejamento do Município e, depois vice-prefeito, ele promoveu algumas ações que impregnaram o mandato municipal de conceitos urbanísticos até então desprezados por prefeitos anteriores. A eleição de Ricardo Coutinho para governador do Estado promoveu Luciano Agra ao cargo de prefeito da Capital.

Professor de Arquitetura da UFPB, Luciano decidiu executar na Prefeitura o que ensinava aos seus alunos, muitos deles já exercendo a profissão de arquiteto, e transformou a cidade em um laboratório bem sucedido de obras que fortalecem a estima do técnico, do gestor e da população.

Amparado pelo Ministério Público, Luciano mudou a paisagem de Tambaú. Retirou as barracas que impediam a visualização do mar e ficamos um pouco mais civilizados. Os seus atos são lições fundamentadas de uma boa escola de Arquitetura e Urbanismo. Cada paraibano tem na gestão de Luciano Agra um curso cotidiano, intensivo e gratuito de Urbanismo. É uma experiência singular e gratificante.

O gesto definitivo de coragem, ousadia e de cidadania do prefeito Luciano Agra foi a desapropriação do Aeroclube da Paraíba para a criação do Parque Parahyba. São quase 70 hectares de área nobre encravada num dos mais valorizados bairros de João Pessoa. Essa era uma atitude de governo que a sociedade paraibana silenciosamente aguardava e, agora, aplaude.

Temos o privilégio de protagonizar um fenômeno urbanístico que foi apenas precedido por Curitiba, na gestão do arquiteto e urbanista Jaime Lerner.


RM@reginaldomarinho.com.br

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Opinião

CARLOS ARANHA
Publicado no "Correio da Paraíba"

O PREFEITO E O PARQUE PARAHYBA

Nestes meus já consideráveis anos de João Pessoa, há tempo que não via um ato administrativo tão rápido, corajoso e benéfico à população como esse do prefeito Luciano Agra, que assinou na semana passada o decreto de desapropriação do Aeroclube da Paraíba. Não apenas para evitar o risco de uma tragédia - que quase acontecia há poucos dias -, mas para criar o Parque Parahyba, com 66,15 hectares, aumentando em não sei quantos e necessários “dígitos” as condições de lazer seguro para uma população dele ainda tão carente.

Lembro agora de um artigo escrito por meu saudoso irmão, Marcus Aranha, publicado neste jornal no dia 3 de outubro, intitulado “O aeroclube”, em que ele, um apaixonado pela cidade, afirmou: “João Pessoa está precisando de um novo parque. Era bom que o aeroclube se fosse de mudança e os hectares dele fossem transformados num parque como o ‘Parque da Cidade’ em Brasília: gramado e árvores! No meio delas, quadras de esportes, área para piquenique, ciclovia, lugar para armar redes, trilha para caminhadas, área para realização de shows, um teatro de arena, um pavilhão para exposições”... Meu irmão, um senhor cidadão, escritor e médico, foi achincalhado num “direito de resposta” assinado por um dos membros do Aeroclube da Paraíba. Agora, nos “campos verdejantes” onde deve estar, seu espírito deve estar alegre e reconhecido com a atitude que é comum a grandes administradores: a desapropriação assinada por Luciano Agra.

Em seu artigo, Marcus Aranha advertia que “esse negócio de avião subindo e descendo entre os prédios do Bessa pode terminar em tragédia. Imagine um teco-teco daqueles entrando pelas vidraças de um apartamento”... Sete dias depois, o incidente com um monomotor nas imediações do Aeroclube “expôs a fragilidade da sua localização na malha urbana e reacendeu o debate sobre a segurança das edificações e dos moradores do seu entorno”, como lembrou ontem o arquieto Oliveira Júnior. Seis dias a seguir, o prefeito anunciou a desapropriação.

A diretoria do Aeroclube tem direito agora ao “jus sperneandi”, mas, com certeza, prevalecerão junto à Justiça os anseios da população e a firme e correta decisão do prefeito de João Pessoa.
 
Fonte: Twitzer

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Democratizando as oportunidades

A desapropriação do Aeroclube da Paraíba
Concurso de projeto para o Parque Urbano Linear da Parahyba!

O incidente com um monomotor ocorrido no dia 10 deste mês nas imediações do Aeroclube expôs a fragilidade da sua localização na malha urbana e reacendeu o debate sobre a segurança das edificações e dos moradores do seu entorno.

Na última quinta-feira (16) o prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, anunciou, um dos seus mais audaciosos atos desde que assumiu o comando da administração municipal: o decreto de desapropriação do Aeroclube da Paraíba. A área desapropriada cederá espaço para a criação de um Parque Linear Urbano que incorporará também as áreas adjacentes das margens dos canais existentes nas cercanias. Embora o Parque já estivesse previsto desde a revisão do Plano Diretor Municipal em 2008, a lei 11.854 que o criou só foi sancionada no início deste ano.

Com uma postura firme, Agra defendeu o interesse público do projeto e garantiu que se o processo não ocorrer de forma consensual não hesitará em utilizar todos os meios legais para efetivá-lo. “A decisão não representa nenhuma hostilidade. Queremos conversar (com a diretoria do Aeroclube da Paraíba) e esperamos um acordo amigável e consensual”, enfatizou.

Segundo informações do portal da PMJP a área do Parque Linear Urbano Parahyba será de 66,15 hectares e contará com infraestrutura, equipamentos e mobiliário urbano voltados para o lazer ativo e passivo como áreas de convívio, ciclovias e jardins. O esboço do projeto elaborado pela equipe multidisciplinar da PMJP apresenta recomendações para o uso e ocupação do solo, para o paisagismo, a drenagem do solo e para a amenização dos impactos ambientais.

Vista aérea do Aeroclube da Paraíba -  Autor desconhecido

A notícia da desapropriação do Aeroclube e a possibilidade de criação de um Parque Urbano naquele local foi um dos assuntos mais comentados na cidade e principalmente entre as redes sociais. No Twitter, arquitetos e estudantes foram unânimes quanto à realização de um consurso público de projeto para o Parque Urbano Linear Parahyba. O ex-governador Cássio Cunha Lima indagado sobre a possibilidade do concurso para o parque não exitou em apoiar a inciativa. A ex-candidata à Câmara Federal, arquiteta Rossana Honorato acredita que o prefeito Luciano Agra será favorável ao pleito dos arquitetos e remeteu ao Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento da Paraíba (IAB-PB) a responsabilidade em provocar o debate e reinvidicar a realização de um concurso para escolher a melhor proposta para o Parque Parahyba.







Como professor universitário e arquiteto com quase 20 anos de atuação no mercado defendo o concurso de projeto como uma das ferramentas mais democráticas e eficientes para escolha de propostas de intervenção em áreas de grande interesse público. Este tipo de iniciativa provoca os profissionais a aprofundarem seus conhecimentos e a buscar as melhores soluções para os "problemas" arquitetônicos e urbanísticos da cidade. Não obstante se tratar de uma excelente oportunidade para os jovens profissionais mostrarem seus talentos e competências, se inserirem no mercado e projetarem suas carreiras.

Acredito que este seja um momento especial na carreira política de Luciano Agra e que o mesmo terá a sabedoria de atender aos anseios mais legítimos da população pessoense apoiado numa vasta possibilidade de opções de desenho urbano legitimadas por meio de um concurso de projetos sério e remunerado pela tabela de honorários do IAB Nacional.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O mercado como intermediário entre a arquitetura e a cidade

O futuro é o mercado
Valentina Figuerola



Com uma personalidade expansiva e questionadora, Massimiliano Fuksas acredita que o campo de atividade dos arquitetos não deve se limitar à estética. Para ele, além de criar edifícios funcionais e integrados à paisagem urbana, o arquiteto deve "ajudar os outros (leigos) a compreender o que é a boa arquitetura". Foi com essa visão que o romano, descendente de lituanos, definiu o tema da Bienal de Veneza de 2000, o polêmico Less Aesthetics, More Ethics, ou Menos Estética, Mais Ética, em português. Como curador-geral da mostra, Fuksas lançou o debate sobre o novo contexto social e urbano e o compromisso dos arquitetos como intelectuais. Formado em 1969 pela Faculdade de Arquitetura La Sapienza, da Universidade de Roma, ele trabalhou com o historiador e crítico de arquitetura contemporâneo Bruno Zevi e, aos 16 anos de idade, foi discípulo do pintor surrealista De Chirico. Dentre os principais trabalhos do italiano estão o edifício da entrada da Caverna de Niaux e a Casa das Artes, ambos na França, a Municipalidade do Cassino, na Itália, o Centro da Paz, em Israel e o plano urbanístico da Praça das Nações Unidas, em Genebra. Em entrevista à AU, Massimiliano Fuksas fala sobre megalópoles, sua relação com o mercado imobiliário e a arquitetura brasileira.


aU Como você resolve a equação que envolve o dever do arquiteto e sua relação com o mercado imobiliário?

FUKSAS Eu acabo de descobrir o que é o mercado imobiliário e no início fiquei bastante assustado, porque estava acostumado com o cliente público. Não existem mais obras públicas, o governo deixou de ser cliente, não investe mais. Pelo que sei, o mesmo acontece no Brasil. Há hoje um novo tipo de cliente que é privado, porque utiliza o capital da iniciativa privada, mas não deixa de ser público, visto que não constrói para uso próprio, mas para outros ocuparem. Para esse cliente, obra é investimento. É uma situação completamente nova que exige do arquiteto uma nova forma de pensar. Você projeta para você mesmo, ou para um público que você tem de tentar imaginar quem é. Isso é muito estranho.

aU Além disso, ao trabalhar para o mercado imobiliário, o arquiteto assume o compromisso de trazer lucro para o investidor, não é? Imagino que ao desenhar o Vienna Twin Towers você tenha enfrentado essa situação...

FUKSAS Na verdade não. Esse projeto ficou em um meio termo nesse sentido. Foi o último empreendimento feito para um cliente. Depois disso surgiu algo novo, o incorporador.



aU Como você lida com o incorporador? Como conciliar a obrigação de promover lucro com a produção de uma arquitetura de qualidade?

FUKSAS Bem, tentamos entender as necessidades do mercado, enxergar aí as possibilidades para a arquitetura. Penso que, daqui para o futuro, teremos de tentar responder a esse novo conceito. É muito difícil mesmo, mas é o futuro. Do contrário, o arquiteto vai ficar limitado a obras como museus e igrejas e, para mim, isso tudo é apenas uma parte do mundo. Eu quero pensar em novas formas de viver, novas formas de fazer compras, de trabalhar. Antes de projetar o Empório Armani de Hong Kong, na China, nunca havia concebido uma megastore. Achei muito interessante fazer o projeto porque pude perceber o que os arquitetos podem fazer pelos leigos, pessoas que estão longe da arquitetura.


aU No Brasil vivemos uma situação dramática em que as imposições do mercado têm criado imensas dificuldades para os arquitetos produzirem um bom trabalho...

FUKSAS O problema é que vocês não devem mudar a si próprios, mas ajudar os outros a entender a arquitetura. Você não precisa ser esnobe, não se trata disso. Mas, se você teve acesso a uma boa formação, tem cultura, tem também o dever de ajudar os outros. Vivemos um momento em que as cidades precisam de arquitetura. De arquitetura e de arte.


aU Na Bienal de Veneza de 2000, você mostrou uma visão bastante catastrófica sobre as grandes cidades. Permanece essa opinião?

FUKSAS Penso que o problema são as megalópoles.


aU As megalópoles?

FUKSAS Exato. Eu ainda defendo que não se pode construir sobre o planeta inteiro, mas, sim, concentrar e conferir identidade aos lugares. As megalópoles são algo à parte e devem ser consideradas como um objeto, uma escultura, e não como um aglomerado de prédios bonitos que você vê numa viagem de turismo.


aU Não sei se ficou claro...

FUKSAS É preciso mudar completamente de abordagem porque agora estamos falando de outra coisa, não de arquitetura, mas do conceito de colossal. Não há mais espaço para obras de arquitetos como Andrea Palladio, como o Coliseu, por exemplo. O conceito de todo o complexo da megalópole é muito forte porque é colossal. Trata-se de uma nova estética. A dimensão é uma nova estética.


aU Que solução você propõe?

FUKSAS A solução é aceitar, proporcionar mobilidade e aumentar a densidade das megalópoles.


aU Algo na linha de Manhattan?

FUKSAS Manhattan é arcaica. É arcaica porque é história. A megalópole é algo novo e que não conhecemos. Na minha opinião, o desenho urbano deveria adquirir uma escala bem maior do que a atual: em vez de pequenos e numerosos quarteirões para mil pessoas, por exemplo, deveríamos adotar grandes blocos em que coubessem 20 mil pessoas.


aU Você pode dar um exemplo?

FUKSAS Não, porque não há um exemplo. Isso poderia ser uma utopia dos anos 60. É uma pena que a utopia tenha sido deixada de lado, porque é uma parte importante da reflexão. Hoje a reflexão é feita de forma muito acadêmica. A arquitetura se tornou pragmática, realizada dentro do possível, enquanto a discussão ficou num nível muito acadêmico.


aU Você incorpora ao seu trabalho conceitos como leveza, transparência e comunicação. Você cosidera que essa abordagem poderia ser um caminho para a megalópole?

FUKSAS Algumas vezes precisamos de leveza e transparência, outras, de espaços fechados, cegos e até artificiais, sem iluminação natural e climatizados. Talvez não existam lugares assim em Roma ou no Brasil, mas isso já ocorre em ambientes como aeroportos e shopping centers.


aU Você já esteve no Brasil?

FUKSAS Sim. Já visitei São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte. Em 1998 fui passar o carnaval na Bahia. Atravessei o País em um Volkswagen a álcool. Foi uma viagem fantástica. Mas foi em São Paulo que vi o edifício mais surpreendente de minha vida, aquele museu projetado por aquela senhora italiana... (Fukas refere-se ao do Masp - Museu de Arte de São Paulo - de Lina Bo Bardi).

MASP 


aU E qual a sua opinião sobre a arquitetura brasileira?

FUKSAS O Brasil teve uma arquitetura muito forte nos anos 60. Era realmente inacreditável! Mas não sei muito sobre a produção da nova geração de arquitetos brasileiros que, assim como a dos latino-americanos, não é muito divulgada aqui na Europa. Já vi alguns bons exemplos, mas não é possível criar um conceito a partir de tão pouca informação.

Fonte: Revista AU
Fotos:
Massimiliano Fuksas: Moreno Maggi
Masp: Oliveira Júnior

sábado, 11 de dezembro de 2010

Acidente no Aeroclube da Paraíba

Conflito de interesses urbanos
Oliveira Júnior

Imagem: monomotor tombado
Foto: Ricardo Oliveira
Fonte: Portal Paraíba

Um conflito de interesses entre o Aeroclube da Paraíba, o mercado imobiliário e a vocação urbana da cidade de João Pessoa volta a ficar em evidência na mídia paraibana após a queda de um monomotor ontem pela manhã nas proximidades do aeroclube.
O Aeroclube da Paraíba foi criado em 1940, no antigo campo da Imbiribeira (Tambauzinho), onde hoje se localiza o Espaço Cultural José Lins do Rego, extendendo-se até as imediações do Primeiro Grupamento de Engenharia e Construção na Avenida Epitácio Pessoa.
Em 1953, com o iminente crescimento urbano em torno do eixo da Avenida Epitácio Pessoa, o Governador José Américo de Almeida, desapropriou a antiga área e a idenização permitiu que o aeroclube adquirisse um terreno desmembrado da Fazenda Ribamar ou Boi Só, onde atualmente se localiza. Na época a área  escolhida para implantação deste equipamento era pouco habitada, a população ainda começava a se deslocar rumo a orla e a cidade se apresentava morfologicamente horizontal.

Imagem: Vista aérea do aeroclube e entorno urbano
Foto: autor desconhecido

Com o adensamento populacional e a valorização imobiliária dos bairros da orla, as construtoras locais iniciaram um processo de verticalização intenso que culminou no "estrangulamento" do "cone de vôo" do Aeroclube da Paraíba e desencadeou uma série de disputas jurídicas na área.

Imagem: Vista aérea do aeroclube e entorno urbano

Foto: autor desconhecido

Numa das ações a Justiça Federal mandou demolir 19 prédios de luxo no entorno do Aeroclube da Paraíba que teriam extrapolado a altura máxima permitida para aquela área.

Um aspecto a ser considereado nesta queda de braço é a vocação atual do entorno urbano daquele trecho de João Pessoa. Tão importamte quanto as questões da vulnerabilidade e da insegurança dos moradores dos edifícios próximos ao aeroclube é a reflexão sobre qual seria o uso mais apropriado para o vazio urbano onde está inserido o equipamento.

No ambiente acadêmico a questão do espaço do aerodromo já foi abordado pelas disciplinas de desenho urbano e por  trabalhos finais de graduação (TFG's) de alunos do Unipê, por exemplo. Diante da carência de praças e espaços públicos de lazer, alguns alunos orientados pelo arquiteto Ernani Henrique Júnior já propuseram intervenções para o local. Maurício Montenegro sugeriu a remoção do aeroclube para a região sul, muma área mais remota da cidade; já  Beatriz Campelo desenvolveu uma proposta de um parque urbano no local. Hipótese, inclusive, destacada em vários meios de comunicação com após a sanção da lei 11.854 pelo ex-prefeito Ricardo Coutinho no início deste ano.

O aeroclube sempre se posicionou firmemente pela sua permanência no local. Inclusive, estrategicamente, sua diretoria batizou-lhe de “Aeródromo José Targino Maranhão” e posteriormente, em outubro de 2008, conferiu o título de sócio de benemérito ao prefeito Ricardo Coutinho, que não se deixou seduzir pelo mimo diante das suas convicções urbanísticas.

Enquanto a polêmica não se resolve a população fica exposta aos riscos de um acidente aéreo de maiores proporções e subtraída do direito aos tão caros espaços de lazer públicos de que precisa para usufruir da sua plena cidadania. 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dia do arquiteto

Não importa o que você faça, só que faça diferença.

A imagem de um papai noel publicada hoje no portal G1 revelando-o sem as suas vestes tradiconais me reportou a máxima de que por trás de todo indivíduo há um ser humano único e me inspirou a escrever este curto texto. Sua pele tatuada, impossível de ser percebida abaixo da indumentária com a qual se traveste, é uma metáfora que remete ao verdadeiro "eu" oculto nos anônimos rostos dos transeuntes. Reconhecê-los, identificar suas legítimas necessidades e incorpora-las nas estratégias de ação projetual são os os principais objetivos profissionais do arquiteto. Acima de qualquer idiossincrasia estão os verdadeiros interesses sociais e coletivos da cidade.

"Por trás de todo indivíduo há um ser humano único."
Vitor Martins é artista plástico e trabaha como Papai Noel há 10 anos.
Foto: Paulo Toledo Piza
Fonte: Portal G1

Toda ação projetual interfere diretamente na relação singular que cada indivíduo trava cotidianamente com os espaços públicos e privados. Esta relação pode se subverter em vitalidade ou "desertificação urbana, coesão ou segregação socio espacial, integridade física e emocial ou medo e insegurança, sustentabilidade e conforto ou caos e crescimento desordenado.

Esperamos que o dia dedicado aos arquitetos seja um momento de reflexão sobre o nosso verdadeiro papel na sociedade. Desejamos que o "encantamento" com a profissão nos tome de "assalto" para que possamos (re)construir as nossas cidades com o vigor e a justiça social que todos merecemos.