domingo, 6 de março de 2011

Diário de viagem - Destino: BH, MG.

Meu nome é Saskya, nascida e criada em João Pessoa, sou estudante de arquitetura e o pouco que sei devo a uma pequena quantidade de professores bons que tive, revistas e sites relacionados, livros, conversas com pedreiros, amigos e enxerimento. E, embora nunca tenha tido um diário, duvido que os femininos sejam sucintos, estou prometendo tentar.
Entre os dias 06 e 10 de Janeiro tive a prazerosa oportunidade de gastar meu tempo e dinheiro em Belo Horizonte. Nunca havia estado sequer em Minas Gerais, apesar de sempre ter tido a curiosidade de conhecer, tinha que me contentar com meia dúzia de pesquisas no Google imagens. Mas desde já posso adiantar que BH é realmente uma cidade linda, que vale a pena conhecer e que tem muito a ensinar.
Para começar: aeroportos. Infelizmente, terei que massagear o ego dos amigos Pernambucanos; sim, eles estão muito mais organizados que os outros aeroportos em que passei. No Presidente JK, em Brasília, fiquei pouco tempo, mas não creio que aquilo vá ser suficiente para a tão aclamada Copa do Mundo: pequeno, pouco organizado e com poucos seguranças. Quanto a Confins, somente na viagem de volta pude passear pelo aeroporto e ver o quanto ele é bonito, o cuidado com o desenho das escadas e rampas me fez babar. Ainda assim, reparei nos painéis eletrônicos desatualizados e em uma sala de embarque lotada.


           Aeroporto de Confins. Belo Horizonte, MG.

No caminho para Belo Horizonte, passamos pela Cidade Administrativa, assinada por Niemeyer e, cá entre nós, que dom pra formas! O auditório JK, o Palácio Tiradentes e os prédios Minas e Gerais (são esses os nomes) são um aperitivo para a visão de quem se encaminha para a cidade.
Meu primeiro passeio pelo centro foi a pé, a propósito, foi assim que descobrimos muita coisa bacana. Mas evitávamos o carro porque o trânsito é muito confuso e andar a pé sempre era a opção mais fácil. O traçado da área central da cidade é resultado de uma superposição de linhas ortogonais e diagonais; eu que não queria me meter com cruzamentos de até 8 avenidas. Nem com paradas de ônibus nas quais algumas linhas não passam aos domingos, outras não passam das 14h às 16h, outras não passam nos dias 27 de três em três meses.
No primeiro dia conheci o Museu das Minas e Metais com uma intervenção simplesmente estonteante de Paulo Mendes da Rocha. Infelizmente, não tive a oportunidade de entrar; somente me deliciei com os volumes, todos muito bem definidos e “soltos” do prédio que era da Secretaria da Educação. O volume das escadas tem uma faixa de vidro reflexivo que ao mesmo tempo em que separa o metal vermelho da intervenção, reflete o prédio antigo dando a impressão de continuidade; um charme.

   Museu das Minas e Metais. Belo Horizonte, MG.

Mais tarde fui me encantar com a Praça da Liberdade e com a quantidade de famílias que passeavam por ali em plena quinta-feira. Cachorros pequenos caminhando sem coleira, adultos fazendo cooper, mães e pais cuidando das crianças que serelepiavam próximo aos jardins... andar por aquela praça me fez guardar uma das imagens mais bonitas da minha vida e a todo instante me lembrava do nosso parque prometido na área do aeroclube. Um espaço como esse certamente está na lista dos itens que João Pessoa precisa: qualidade urbana e qualidade social, se é que elas podem ser dissociadas. E não digam que isso é discurso de arquiteto; meu namorado, estudante de direito e administrador de empresa, no meio da visita parou, encantado, e disse: “Muito bacana! João Pessoa podia ter um espaço desse, né?” É, podia.
    
Praça da Liberdade. Belo Horizonte, MG.

Entre os passeios completamente imperdíveis está o Inhotim. É algo entre museu e parque. Tem o paisagismo assinado por Burle Marx com paisagens maravilhosas, flora abundante e colorida que se mistura com lagos e galerias de arte. Em algumas dessas você não prestará atenção em outra coisa, exceto na própria galeria; tudo com muita qualidade, com muita vontade de fazer o espaço pulsar. Proeza seria conseguir visitar todas as obras em um só dia, por isso há lanchonetes e restaurantes que irão lhe servir da melhor maneira possível; seja com bancos a beira do lago, mesas em varandas sombreadas por grandes copas ou em locais mais discretos, entre as árvores. Enfim, falar demais pode estragar a surpresa guardada por cada curva do caminho.
 
   Inhotim. Brumadinho, MG.

Também na lista dos “imperdíveis” está, logicamente, a Pampulha. A Lagoa é bela. Eu só pensava, inocentemente, que ela era menos urbanizada... mas continuo achando-a linda. Por falar em beleza, ah Niemeyer! Finalmente conheci o bibelô das igrejas. Mágica. Apaixonante desde o primeiro segundo. O painel de Portinari cobre as curvas de charme. Mas a melhor parte é entrar na igreja: de um lado o altar, no oposto, a lagoa como paisagem e sobre tudo isso a abóbada maior do conjunto com o lambri de madeira. Também conheci a Casa do Baile e sua famosíssima marquise... um convite irrecusável a descansar do sol e apreciar a paisagem.
 
Igreja São Francisco e Casa do Baile. Belo Horizonte, MG.

Entre um passeio e outro, nas inúmeras caminhadas que fizemos, ia notando a arquitetura local... em algumas partes da cidade podemos ver belos prédios modernos (de fato, e não tardios), com linhas simples, volumes e detalhes elegantes. Tenho que citar o Edifício JK, de Niemeyer, que deixou um verdadeiro legado nessa cidade. Mas não se engane que isso não resume o que se vê; há exemplares de vários estilos, arquitetura pra todos os gostos.
   
Edifício JK e outros prédios do centro da cidade. . Belo Horizonte, MG.

Muita, muita coisa boa. E muita coisa de que não gostei também (é redundante lembrar que essa é minha opinião?). Volumes estranhos e sem sentido podem facilmente ser identificados na skyline. Mas isso não foi uma coisa que me incomodou, pelo contrário, passei a valorizar muito a arquitetura de lá por ver que os arquitetos tentavam, ousavam, testavam soluções diferenciadas, faziam do ofício um exercício, uma constante busca de melhoria; é diferente da repetição.
Sentia-me muito bem andando por aquelas ruas, em meio a diversidade de qualidade e de estilos, muito melhor que caminhar entre volumes iguais, com pouca ousadia, que te oferecem apenas uns joguinhos de azulejos pra enganar a vista. Isso é no mínimo, entediante. E tédio é a única coisa que não pude sentir nas ruas de Belo Horizonte. E pra não dizer que não falei das rosas, por onde andei, as avenidas estão muito bem arborizadas, fazendo com que a cidade se torne ainda mais inesquecível e adorável.
   


Como eu avisei, duvidava que fosse ser breve. Mas fiz uma viagem a uma cidade muito rica em cultura, arquitetura, lazer, entretenimento... e, pessoalmente, acho que ela pode ser uma cartilha para as cidades que prezam pela qualidade de vida e que desejam estruturar-se para proporcionar isso aos seus habitantes.


Saskya Carvalho é estudante do curso de arquitetura da Universidade Federal da Paraíba e faz estágio no escritório 7S34W Studio.
Fotos: Saskya Carvalho, Amanda Gomes e Leony Martins.

Triptyque

Nem minimalista, nem maximalista. Arquitetura de emoções

Foto de Marcos Alves
Quando o grupo de estudantes da Escola de Arquitetura Paris-la-Seine — a paulista Carolina Bueno, 35 anos, e os franceses Guillaume Sibaud, Olivier Raffaelli e Gregory Bousquet, 37 — foi ao Rio pela primeira vez, de férias, em 1998, se encantou tanto com o cenário belo e caótico da cidade que decidiu mover o recém-inaugurado escritório de arquitetura, design e arte Triptyque de uma Paris com pouco espaço para impacto arquitetônico para um Brasil repleto de oportunidades criativas. Em 2000, já formados, os quatro abriram o escritório em Laranjeiras, de onde planejaram a fachada da loja H.Stern em Ipanema (Roberto Stern foi o grande descobridor do grupo) e um reformado Museu Histórico Nacional, desenho que nunca saiu do papel por falta de recursos.
Mas o Rio, como bem sabem os cariocas, promete mais do que realiza, tanto que, em 2003, o escritório mudou-se para São Paulo, onde estão o dinheiro e uma enorme demanda por projetos de arquitetura. Aqui, ao longo dos anos, o Triptyque — francês para Tríptico, a definição de três pinturas que integram uma única obra de arte — acabou crescendo com propostas de design arrojado ensopadas de conceitos como sustentabilidade, customização e usabilidade. E se tornou um dos mais festejados e promissores escritórios do país. O Rio, no entanto, nunca saiu da cabeça dos jovens arquitetos.
(Harmonia - Divulgação)
— Rio e São Paulo são cidades novas no formato urbano e um desafio inacreditável — diz Olivier Raffaelli na mesa de reuniões da pequena (e abarrotada) casa no Jardim América que abriga a sede da Triptyque, na capital paulista. — Mas o Rio é perfeito para quem pensa o cenário urbano, porque junta a cidade em si, a natureza ao redor e a mistura social das favelas dentro de cada bairro.
Pois o quarteto — que trabalha todos os projetos em ritmo de brainstorming e colaborações múltiplas — volta agora ao Rio (onde possui um estúdio de computação gráfica e 3D, o TriptyqueLab) para trabalhar seu sonho de cenário urbano. Em dezembro passado, o Triptyque foi um dos selecionados pela prefeitura para o projeto Morar Carioca, uma continuação do Favela-Bairro, que pretende investir R$9 bilhões em dez anos. O projeto decola este ano com a definição das favelas por que cada escritório será responsável. Na empreitada, o Triptyque faz parceria com a Fundação Gol de Letra, dos ex-jogadores Raí e Leonardo, dedicada à educação de jovens carentes.
— Nossa proposta é trabalhar com moradores, lideranças locais e redes sociais para mudar a favela de dentro para fora, estudando as moradias, a topologia e as limitações das comunidades — diz Raffaelli.
 (Fidalga - Divulgação)
O projeto cairá como luva num portfólio premiado internacionalmente — o Triptyque foi um dos vencedores em 2008 do festejado NAJA (Nouveaux Albums des Jeunes Architectes et des Paysagistes), dado pelo Ministério da Cultura da França — e citado frequentemente em diversos blogs e publicações nacionais e internacionais. Já viraram referências projetos como o edifício de escritórios da Rua Harmonia (onde a água da chuva e do solo é tratada e reutilizada pelo prédio, que tem samambaias e trepadeiras nas paredes), vencedor do Zumtobel Group Award por sua sustentabilidade, ou o edifício da Rua Fidalga em que cada apartamento é diferente do outro (selecionado para a Bienal de Veneza de 2009).
Figuras fáceis em revistas são o apartamento do empresário Houssein Jarouche e sua loja de design de luxo MiCasa, que vende outra criação do escritório: a estante Treme-Treme, móvel obrigatório nas paredes antenadas paulistas cujo módulo de dois metros de altura por quatro de largura custa mais de R$40 mil.
(Loducca - Divulgação)
Em 2008, o grupo inaugurou seu braço internacional, em Paris, e a conquista do NAJA lhe abriu as portas para projetos europeus, como a Mediateca de Osny, na França. Lá, participam de 20 licitações por mês, uma cultura da administração pública na base da concorrência sem picaretagens.
— Na Europa, pensa-se em custo, mas também na melhor solução arquitetônica e urbanística para os cidadãos. Não é como aqui, onde tudo é mais ou menos pré-fabricado, e colégios são feitos em modelos de massa sem que isso, no final, represente economia nos gastos públicos e prédios inteligentes — afirma.
O grupo se diz fã da arquitetura brasileira e cita Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, mas menciona menos a filosofia histórica dos projetos paulistas a partir da década de 50 e mais a decisão de profissionais contemporâneos de não enveredar pela teatralidade arquitetônica que passou a dar o tom de nove entre dez construções nos últimos 30 anos (e citam explicitamente os desenhos do canadense-americano Frank Gehry).
(Treme-Treme - Divulgação)
— Não somos minimalistas nem maximalistas — diz Raffaelli. — Fazemos uma arquitetura de emoções.
E batem palmas para nomes como os dos paulistas Isay Weinfeld e Márcio Kogan. Weinfeld, conhecido pelo rigor crítico sobre o mercado nacional de arquitetura, define o escritório:
— É um grupo de jovens talentosos que está ajudando a mudar a cena arquitetônica de São Paulo.
Há dez anos, quando nasceu, o Triptyque tinha dois clientes. Hoje, seus 45 funcionários se debruçam sobre 40 projetos no Brasil e no exterior. Enveredando pelo urbanismo, novas portas devem se abrir para o grupo, especialmente no Brasil e no Rio.
— Não há muitas oportunidades na França hoje — diz Raffaelli. — Aqui, as chances são muitas.

terça-feira, 1 de março de 2011

PMJP convida população do Bessa para audiência sobre o Parque Paraíba


A Prefeitura de João Pessoa vai realizar nesta terça, primeiro de março, uma audiência popular com os moradores do Bessa, Manaíra e São José, para apresentar e debater o plano de construção do Parque Paraíba. A reunião acontecerá a partir das 19h, no Teatro da Igreja Batista de Manaíra, localizada na Rua Ulrico Oliveira Cavalcanti, 61.

Estarão presentes o prefeito Luciano Agra, os secretários de Planejamento, Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, além do chefe de Gabinete, Orçamento Democrático, Procuradoria do Município e o os arquitetos responsáveis pela criação do projeto do parque.

Segundo Luciano Agra, esse momento será essencial para que a população possa conhecer a toda a proposta de implantação do Parque Linear Urbano nos seus aspectos urbanístico, ambiental e social, o que inclui a recuperação de áreas degradadas, rearborização, espaços para práticas esportivas, culturais e de lazer.

“Esta medida vai trazer melhorias significativas para a comunidade do entorno e para toda a cidade. Não vamos fugir do debate sobre a desapropriação do Aeroclube, mas vamos tratar o assunto de forma elucidativa”, destacou o prefeito.

Arquitetura & realidade

 A ARQUITETURA SE ESQUECEU DE SAMBAR!
   É tempo de Carnaval. Mas, o que tem isso a ver com a Arquitetura?, você haverá de perguntar. A meu ver, se parar para pensar, descubrirá que tem muito a ver.
    A exemplo do cinema, que deixou de lado, com raras exceções, a matéria-prima do futebol consagrado pelos cronistas como a grande festa popular, a Arquitetura se esqueceu desse filão fantástico que faz parte do calendário nacional: o Carnaval, que continua alimentando as páginas de jornais e a mídia eletrônica, além do imaginário e o folclore popular.
   Afinal, não podemos nos esquecer que vivemos num país, no qual, o ano, conforme o ditado confirmado pela realidade, só começa depois dos festejos carnavalescos, que fazem parte de nossa cultura popular. 
    No cinema há exemplos de exceções , como o clássico “Garrincha, alegria do povo”, do  diretor Joaquim Andrade, um dos papas do “cinema novo”.
    Na Arquitetura, adivinhe, há um exemplo emblemático: o sambódromo do Rio de Janeiro projetado pelo mestre Oscar Niemeyer, que inspirou outros clones arquitetônicos Brasil afora.


Sambódromo
Fonte: R7 Entretenimento

   O grande arco ou passarela da apoteose, conforme insinuou o próprio autor, seria uma forma simbólica para celebrar a famosa sensualidade das mulatas cariocas.
   Ou  seja: uma forma estilizada das curvas sensuais das nádegas de uma sambista que se transformou num ícone do cenário da atormentada cidade do Rio de Janeiro e da mídia televisiva global. Nádegas sensuais, que segundo o folclore arquitetônico, seduziram até o mestre Le Corbusier, na sua passagem pelo Rio, nos anos 30, frequentou a famosa taberna da Glória.    

  A propósito do tema em pauta, lembraria um epísódio: o de um turista inglês que, entrevistado, depois de assistir a um dos desfiles das escolas de Samba cariocas, reagiu com humor: - God! Quase fui atropelado pela exuberância de uma sambista!

     E, também, recordaria a pergunta de uma leitora da Bahia, que , numa carta enviada para AU , indagava: “Por favor, me responda, por que a Arquitetura se esqueceu do Carnaval, um tema tão atraente e rico para soluções e propostas arquitetônicas criativas

     “Com certeza – reconhece o arquiteto Edson Elito, idealizador do histórico Boletim impresso do IAB/SP –  esquecemos muitas vezes da função fundamental de ser arquiteto: a de criar soluções para as demandas da população, seja na área habitacional, na área educacional,  seja para equipamentos de lazer e da diversão”!  
    Com sabedoria, o mestre Niemeyer, enfim, dá uma grande lição sobre a criatividade e invenção, que dignificam um profissional de Arquitetura. Profissional, que seja capaz de transformar uma demanda potencial em realidade. Seja um sambódromo, um camelódromo ( a exemplo daquele projetado por Zeca Brandão e equipe, em Recife), uma arena de rodeios, uma capela ou uma simples praça.


Camelódromo, Calçadão dos Mascates, Recife, Brasil, Arquitetos Zeca Brandão e Ronaldo L'Amour, 1993-94.
Foto Daniel Berinso
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    Praça ? “Desde que ela seja – ironiza, com sabedoria,  um botequeiro sexagenário, cuja figura me lembra a do pescador de “O velho e o mar”,  do romancista Ernst Hemingway -  –protegida por uma redoma de vidro à prova de bala, capaz de nos proteger contra a violência urbana”, apesar de todo o futebol e do Carnaval.
José Wolf

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A disputa pelo Aeroclube da Paraíba continua...

Presidente do TJ cassa liminar que desapropriava Aeroclube de João Pessoa

O presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Abraham Lincoln, cassou, no final da noite desta terça-feira (22.02), a liminar que dava à Prefeitura de João Pessoa a posse sobre o terreno do Aeroclube da Paraíba.
Na noite desta terça, a Prefeitura de João Pessoa encaminhou quatro máquinas ao Aeroclube da Paraíba para destruir a pista. A providência foi tomada depois que o juiz João Batista de Vasconcelos, da 7ª Vara da Fazenda Pública, acatou o pedido do Município e deu à Prefeitura a posse do equipamento. Junto com as máquinas, seguiram o Secretário de Desenvolvimento Urbano Municipal, Lucius Fabiani, policiais militares e homens da Guarda Municipal.

O secretário Lucius Fabiani explicou que a destruição da pista ocorreu para "marcar" a posse da Prefeitura. Os pilotos e donos de aeronaves protestaram e disseram que teria bastado interditar o local, sem dano ao patrimônio. Cerca de 60 pessoas permaneciam em frente ao Aeroclube por volta das 20h30 de hoje.

O presidente do Aeroclube da Paraíba, Rômulo Carvalho, que está em Brasília, se dirigiu ao Ministério da Defesa e solicitou ao ministro Nelson Jobim que intermediasse a concessão de uma liminar para reverter a desapropriação do equipamento determinada e o consequente recapeamento da pista, sem a qual as aeronaves não poderão deixar a área.

O prefeito de João Pessoa Luciano Agra (PSB) comemorou na noite desta terça-feira (22) a desapropriação do Aeroclube da Paraíba, no Bessa, área nobre da Capital paraibana.
“Agora o Aeroclube é do povo de João Pessoa”, disse o prefeito, após a determinação judicial que decretou a desapropriação da área, na tarde desta terça-feira (22). Sem acordo entre a Prefeitura e o Aeroclube, a decisão sobre quem ficará com a área foi parar na Justiça.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Juiz determina posse imediata do Aeroclube a Prefeitura

Juiz indeferiu contestação do Aeroclube sobre competência da Justiça Comum no caso

 

O juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, João Batista Vasconcelos, deferiu na tarde desta terça-feira, 22, pedido de liminar da Prefeitura Municipal de João Pessoa e determinou a desapropriação e posse imediata do Aeroclube da Capital (Foto da Web) pela Administração municipal. O juiz indeferiu ainda a contestação do Aeroclube sobre competência da Justiça Comum para julgar o caso.

Para o juiz, apesar do Aeroclube ser considerado de utilidade pública, não está blindado de ter seu imóvel desapropriado pelo Poder Público Municipal.
O magistrado destacou que o bem em questão não pertence à União, de forma que a decisão de se desapropriar ou não a área é sim da Prefeitura Municipal de João Pessoa. “A utilidade pública dada aos aeroclubes sempre os acompanhará, mas nada impede que suas atividades se dêem em qualquer outra área da cidade que venha a funcionar”, destaca.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), emitiu nota ontem se posicionado contrário à desapropriação justamente por considerar o Aeroclube como “bem público da União”.
“Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios”, declara, citando trecho do artigo 5º da Constituição Federal.
O juiz enfatiza em sua decisão que “todos os requisitos da lei” foram atendidos pela Prefeitura para fazer a desapropriação, inclusive o depósito prévio de R$ 5,1 milhões a título de indenização para o Aeroclube da Paraíba.
“Presentes os requisitos legais e considerando a urgência na construção da obra, defiro o pedido de imissão provisória da Prefeitura de João Pessoa na posse do imóvel acima descrito (do Aeroclube da Paraíba).
O presidente do Aeroclube, Rômulo Carvalho, informou que está em Brasília, mas que os advogados já deram entrada no Tribunal de Justiça com uma ação para cassar a liminar. Ele voltou a declarar que a competência para julgar o caso é da Justiça Federal e que a Prefeitura não poderia desapropriar a área, mas somente o Governo Federal poderia fazer isso.

Fonte: WSCOM

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Arquitetura

COMPETÊNCIA COM SALTO ALTO

(em homenagem à inesquecível Jussara Dantas, à valente Nelci Tinem e, por extensão às anônimas e lutadoras arquitetas paraibanas, que se entrelaçam com outras penambucanas)

Arquitetas talentosas, que desenvolvem um trabalho diferenciado, silencioso e competente, mas infelizmente nem sempre divulgado e discutido pela mídia como seria desejável

(enfim)!
*

Atenção, srs. Arquitetos, abaixem as armas do poder acadêmico machista! Afinal, as mulheres relegadas ao longo da história à condição de “sexo frágil”, vítimas de violência e discriminadas, estão chegando, revelando-se, cada vez mais poderosas, criativas e diferenciadas, na vida política, à frente da gestão e administração de negócios. E, inclusive, na Arquitetura, conquistando espaços de um território outrora dominado praticamente pelo sexo masculino.

De acordo com o Censo do IBGE de 2010, o número de mulheres, no Brasil, atualmente, supera o dos homens, que até o ano 2000 dominava o mapa demográfico brasileiro: agora, são mais de 400 mil a mais que o dos homens. Além disso, são elas que revelam maior expectativa de vida: 77 anos contra 69 dos homens.

Mulheres? A propósito, lembraria reportagem escrita para o extinto “Jornal do Brasil” impresso, nos anos 60, onde trabalhei, através de uma chamada polêmica, que virou até slogan da propaganda de um perfume: “Mulher, seja homem!”. Matéria inspirada no movimento feminista pilotado no Brasil pela escritora Rose Marie Muraro em defesa das mulheres, na época tão discriminadas, profissionalmente. De lá para cá, muita coisa mudou, a favor da mulher, conforme comprovam fatos e eventos recentes.

Na vanguarda - à frente desse movimento de alforria feminina, destacaria, pra começar, o nome de Carmen Portinho, companheira do histórico Affonso Eduardo Reidy. Ao lutar contra preconceitos machistas, foi a terceira mulher brasileira a diplomar-se em Engenharia, participando ativamente da fase de vanguarda da arquitetura brasileira.
Carmem Portinho

Com coragem, venceu o preconceito existente nos meios profisssionais, quando muitos indagavam: quem disse que a mulher entende de futebol, de negócios ou de construção? Até que chegou a hora da virada...

E, dentro de minha maneira de análise crítica, não poderia de me esquecer do filme “Todas as mulheres do mundo ”, de Domingos de Oliveira, cujo personagem central – a atriz Leila Diniz - se tornou símbolo da libertação sexual da mulher brasileira.

Às mulheres, o poder - A brasileira Dilma Rousseff soma-se ao grupo seleto de 16 países governados por mulheres. Entre outras, Michelle Bachelet (Chile), Violeta Chamorro (Nicarágua), Cristina Kirchnan (Argentina), Angela Merkel (Alemanha) etc.

Conforme as classificou a machete do jornal diário de s. paulo, são as novas “poderosas”, contribuindo, oxalá. para um mundo mais justo, humano e afetuoso. Dilma, por sinal, ao assumir a faixa presidencial, avisou, convicta “a mulher é coragem, mas é carinho, também”!

A eleição da primeira presidente do Brasil, não incluindo a atuação política da princesa Isabel, motivou este texto em homenagem à inesquecível guerreira Jussara Dantas, cuja ação deveria inspirar um movimento de arquitetas paraibanas em defesa de seus direitos e emancipação profissional..

Para a história – registro do coquetel em homenagem a Mario Botta, na residência de Telma e G. Guedes, em novembro de 2001.


Ao conhecer Jussara participando, na condição então de editor da revista AU, a convite, de um dos primeiros encontros do Engearq promovidos pelo incansável mestre Orlando Villar, ela me recebeu com muito carinho e altivez..

Ao longo de outros encontros, cruzei com outras arquitetas antenadas e sensíveis, que atuam na Paraíba, como Bethânia Tejo, Dayse Cunha, Sandra Moura, Izabel Villac, Rosana Honorato, Amélia Panet, Rosana, Elisana Dantas e Leila Dángela, Larissa Vinagre, Ísis Almeida, Sílvia Muniz, Débora Julinda, Aline Montenegro, Rafaela Di Lacio, Jane, etc. Indiretamente ligada ao meio destaco a sensível oftalmologista Telma (esposa do arquiteto Gilberto Guedes), que organizou coquetéis inesquecíveis em homenagem a arquitetos estrangeiros convidados do Engearq, entre os quais, os festejados Mario Botta e Álvaro Siza.

Ponto de partida - Mas, a primeira arquiteta a conhecer, na capital paraibana, foi a valente Nelci Tinem, que atualmente pilota uma extensa pesquisa sobre a historiografia da arquitetura paraibana. Na época, anos 86, ela coordenava com Carlos Martins, da USP-São Carlos, um dos primeiros seminários sobre a Arquitetura brasileira contemporânea, em João Pessoa, do qual tive o privilégio de participar, na condição, então, de editor da revista AU. Foi, quando conheci arquitetos que se tornariam ícones para muitas gerações de arquitetos, destacando-se entre tantos, Amaro Muniz e o revolucionário condottiere Expedito de Arruda , que mudou, sem dúvida alguma, o viés da história da instigante arquitetura paraibana contemporânea..
Além disso, não poderia me esquecer de arquitetas pernambucanas que atuaram ou atuam, também, no generoso e diversificado mercado paraiabano. Pra começar: a inesquecível Janete Costa, a divina arquiteta de interiores, que valolizou a arte de tantos artesões nordestinos anônimos.

Nelci Tinem


Não poderia deixar de registrar a atuação do escritório Arquitetura 4, do Recife, composto nos anos 80 pelas arquitetas Vera Pires, Clara Calabria e Carmem Mayrinck. Carmen, por sinal, acabou me revelando, quando passei por Olinda, o caminho da mina: o do Nordeste tão esquecido pela mídia especializada do Sul.

Competência com rímel e batom. Ao revisitar o ranking de projetos premiados, em 2009, pelo IAB/PB publicados pelo blog arqPB, percebi, para minha agradável surpresa, a participação marcante de um grande elenco de arquitetas, cada vez mais presentes no cenário arquitênico nodestino. Entre elas (sem ordem cronológica) : Sílvia Muniz, Sandra Moura, Carolina Marques, Christiane Caldas, Leila D`Angela, Larissa Vinagre, Suellen Montenegro, Isis Almeida, Mércia, Parente, Ana Lúcia Abrahim, Patrícia Gouvêa e a astral Lívia Loureiro, da competente equipe 7S34W. Sem me esquecer, é claro, da poderosa pernambucana Vera Pires, Melânia e Kátia Avellar. E de Roberta Borsoi, autora do mausoléu do roqueiro Chico Science, colaboradora de sua mãe, Janete Costa, no projeto de arquitetura de interiores do Verde Hotel, em João Pessoa.

Vera, ex-integrante do grupo Arquitetura 4, mantém-se, segundo Zeca Brandão, uma expressão viva da atual arquitetura pernambucana, que estaria atravessando um momento de acomodação, depois de viver uma fase efervescente de inovação. Recentemente, ela e seu sócio Roberto Ghione lançaram no mercado paraibano o empreendimento empresarial Acácio Gil Borsoi desenvolvido dentro de princípios da arquitetura sustentável.

O toque diferenciado – Afinal, qual o toque diferenciado entre um projeto desenvolvido por uma arquiteta e outro por algum arquiteto?

Conforme Lívia Loureiro, o diferencial passa pela capacidade de sintetizar, por meio de um olhar sensível, toda a problemática projetual!

Lívia Loureiro


Para a arqueóloga e arquiteta pernambucana Tereza Simis Borsoi, que abriu tantas vezes a porta de sua casa para hospedar amigos e forasteiros de outros Estados do Nordeste e do Sul, como Roberto Segre, Mauro Neves, Jauregui, Padovano ou Sérgio Teperman , além de ajudar moradores de uma área de invasão, onde construiu sua casa, o que me motivou a chamá-la de “madre Tereza do Recife”, há, sem dúvida, algo diferente entre um projeto “masculino” e um “feminino”. Assim, para Tereza, o grande diferencial entre um e o outro, estaria na sensibilidade. “O arquiteto preocupa-se muito mais com a volumetria, a massa, enquanto a arquiteta, com o interior, o coração , o útero do projeto”, enfatiza.

Conselho de amiga - Para complementar, relembraria a atuação da fantástica Lina Bo Bardi que, para escândalo de muitos, fazia questão de autodefinir-se de arquiteto E do conselho da premiadíssima arquiteta paulista e ex-coordenadora editorial do Boletim do IAB/SP, Lílian Dal Pian registrado na matéria “Competência com rímel, batóm e salto alto” publicada na ex-revista “Mais”.

(ou seja):

“Arquiteta, mantenha-se sempre antenada e informada sobre novos produtos, tendências e soluções tecnológicas; atualize-se, frequentando cursos, expósições e seminários: procure conquistar novos clientes, mas sem se esquecer dos clientes antigos; mantenha sempre uma equipe eclética, com profissionais jovens e experientes ; viaje muito para conhecer outros projetos ; não seja afoita e, finalmente, procure mais ouvir que falar”!

Sugestão – Para concluir, deixo aqui minha sugestão: que tal, prof. Orlando Villar, organizar um minifórum ou um Engearq direcionado às mulheres. A chamada poderia ser: Arquitetura e Engenharia/ Com a palavra, as mulheress! complementado por um gancho temático tipo “Além do salto alto e do batom”!

Com certeza, o Ibope estaria garantido num momento delicado que atravessa o país, quando se desenha um novo cenário de demandas e desafios sociais na área da Arquitetura, da Engenharia e do Meio Ambiente....

José Wolf
Contato: (011) 322255 08