sábado, 27 de novembro de 2010

EREA CEARÁ 2011

Concurso de ideias aberto para estudantes de arquitetura do Nordeste


Até o próximo dia 13 de dezembro, estudantes de arquitetura da região Nordeste poderão se inscrever no concurso de ideias para projeto arquitetônico das edificações do Centro de Informação e Convivência do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). O concurso é uma realização da Comissão Organizadora do III Encontro Regional dos Estudantes de Arquitetura, o Erea Ceará 2011, que acontecerá entre os dias 16 e 23 de janeiro no Lagamar do Cauípe, Caucaia, Ceará.

As inscrições para o concurso são feitas exclusivamente pela Internet, acessando o site www.ereaceara2011.com. Os estudantes deverão se organizar em equipes de, no máximo, quatro pessoas, devendo um deles ser indicado para ser o interlocutor entre a equipe e a organização do concurso e ficar responsável pela inscrição. Além do preenchimento do formulário eletrônico, é preciso enviar as declarações de matrícula dos estudantes componentes da equipe para o endereço eletrônico concurso@ereaceara2011.com e aguardar a confirmação da inscrição também por email. Cada estudante só poderá participar de uma equipe. Dúvidas e esclarecimentos sobre o concurso poderão ser feitas até dia 14 de dezembro também por meio do mesmo endereço eletrônico.

Os trabalhos que concorrerão deverão ser enviados entre os dias seis e 20 de dezembro também exclusivamente pelo email do concurso. Serão escolhidos os três melhores projetos preliminares referentes a cada uma das quatro edifícações do Centro de Informação e Convivência do CIPP que farão parte do concurso, sendo restritos aos seguintes estados por edificação: núcleo administrativo (Pernambuco), mediateca (Paraíba, Alagoas e Piauí), núcleo educacional (Ceará e Rio Grande do Norte) e restaurante escola (Maranhão, Bahia e Sergipe). As especificações de cada edifício estão disponíveis no termo de referência do concurso disponível no site do encontro.

O resultado final do concurso será divulgado em ato público no dia 17 de janeiro, durante o Erea Ceará 2011, após o julgamento dos trabalhos entre os dias quatro e 10 de janeiro e a realização de quatro oficinas de discussão dos projetos vencedores entre os dias 18 e 20 de janeiro. Os trabalhos serão expostos na Cidade Erea, estrutura provisória do evento no mesmo local onde será construído o Centro, nos três últimos dias do encontro, de 21 a 23 de janeiro.

O Centro de Informação e Convivência do Complexo Industrial e Portuário do Pecém foi inicialmente pensado pelo professor e sociólogo André Haguette dentro do Plano Básico de Ação para o CIPP e articulado pelo Grupo de Monitoramento de Ações Interinstitucionais e Setoriais do CIPP- Gmais/CIPP do Governo do Estado do Ceará. O objetivo é que o Centro seja um ponto de encontro entre todos os atores que atuam no Complexo como também um portal físico de informações sobre o mesmo.

Mais informações sobre o Erea Ceará 2011 e o concurso de ideias no site www.ereaceara2011.com. Sobre o Centro de Informação e Convivência do CIPP, entrar em contato com a assessoria de comunicação do Gmais no telefone (85) 8852-6653, falar com Marcia Ximenes.

Estado x violência urbana - o capital e o crime em SP

“Não há ‘poder paralelo’”
Entrevista concedida no ano de 2006 a repórter Ana Manuella Soares - Jornal da Adufrj



.José Cláudio Souza Alves é doutor em Sociologia pela USP e professor Titular de Sociologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em meados dos anos 1990, José Cláudio investigou as relações dos poderes social e econômico na consolidação dos grupos de extermínio na Baixada Fluminense, no estado do Rio.

O professor é autor de "Dos Barões ao Extermínio – Uma história da violência na Baixada Fluminense" (1999), onde sustenta que a violência, em especial contra as populações de baixa renda, é uma atividade lucrativa em áreas de periferia. “Atende a empresários bem sucedidos, mas inescrupulosos, atende a políticos vinculados a grupos de extermínio e dá mercado de trabalho a policiais corruptos”.

.Nesta entrevista, o professor comenta a explosão de violência em São Paulo, a responsabilidade dos governantes e da mídia e a lógica da consolidação de um ‘mercado’ do crime organizado,

Em sua tese sobre a história da violência na Baixada Fluminense, o senhor apresentou as relações de poder tanto no plano estadual e federal que estariam na origem e no processo de consolidação dos grupos de extermínio no estado do Rio de Janeiro e na estreita relação entre a política local e os mecanismos de perpetuação da ‘violência ilegal’ associada à pobreza urbana da região.

Hoje, em São Paulo, como o senhor analisa o atual quadro de explosão da violência urbana nesse estado?

Onibus em chamas após um dos ataques do PCC na cidade de São Paulo(2006)

José Cláudio. No meu trabalho, desenvolvo a idéia de que não há “poder paralelo”, mas somente uma estrutura de poder e de Estado que articula a violência enquanto mecanismo de dominação e perpetuação do poder. Essa estruturação das relações entre poder e violência, legal e ilegal, se dá no espaço e no tempo. Portanto, somente com um estudo aprofundado da história das relações dos diferentes atores e da geografia dessas relações se pode identificar como se formou essa realidade.

Análises limitadas ao aqui e agora do problema de São Paulo são marcadas pela disputa pelas interpretações de acordo com os interesses de cada ator. Tendem a ocultar mais do que revelar. A imprensa também fica à mercê desse jogo. Não fiz um estudo aprofundado sobre o caso de São Paulo, mas posso apontar alguns indícios.

Há uma notória e longa relação do aparato policial com as execuções sumárias. Rota 66 a polícia que mata, de Caco Barcelos, é um marco dessa análise. Justiceiros e matadores civis sempre operaram na periferia formada pelas cidades ao redor da capital. Os índices de homicídios nessa periferia, há décadas, são elevados, com poucos exemplos de política de redução, como o caso de Diadema.

A organização dos presídios se constituiu, ao longo do tempo, como a estrutura perfeita do crime: unificação de comando e hierarquia, articulação com o Estado, através da política de segurança e prisional, garantia de acordos duráveis na manutenção do estado-crime entre policiais, políticos, criminosos baratos, organizados e hierarquizados e super-lucro do mercado do crime, operado pelo próprio capital que financia e garante o retorno.

Quais seriam as causas da consolidação do crime organizado em São Paulo na figura do Primeiro Comando da Capital?

José Cláudio. O PCC é resultado, ao longo do tempo, da construção organizada do crime pelo estado e seus operadores, bem como pelo capital e seus donos. Sua unificação deve ter uma história, que não conheço. Seria fundamental estudá-la. O problema é que o crime não deixa atas ou registros. Portanto, tem que se aprender com um quebra-cabeça de acontecimentos registrados pela mídia e seus interesses. Logo, um trabalho difícil. Essa unificação lhe dá mais poder nos acordos. A centralização favorece os negociadores, lado a lado, numa rotina mais previsível.

Qual a responsabilidade dos atuais governos, estadual e federal, nessa explosão de mortes e confrontos no principal centro financeiro do país?

José Cláudio. À semelhança do que ocorreu na cidade do Rio, quando do governo Benedita da Silva, o acordo em vigor sofreu uma ruptura. No caso do Rio, vários atentados ocorreram, mas se orquestraram numa lógica de terror mais difuso: incêndio de ônibus, tiros contra prédios relacionados aos governantes, comércio fechado etc.

Essa situação não favorece o negócio do crime, em particular, no caso carioca, a venda da cocaína, o tráfico de armas, as máquinas caça-níqueis e o jogo do bicho, e pela lógica geográfica do mesmo: organizado em áreas nitidamente segregadas em favelas e periferias-favelas, o desenrolar da crise permaneceu nos limites das operações ordinárias do aparato policial, com pouco recrudescimento das ações nas áreas segregadas e manutenção da rotineira e elevada execução dos habitantes dessas áreas, independente do seu envolvimento ou não com o crime.

O caso de São Paulo aponta para uma outra variável. A entrada de Lembo no governo paulista introduziu a quebra do acordo anterior entre estado e crime, expresso diretamente no endurecimento da política prisional para a hierarquia do PCC.

A forma segregada do crime e pobreza em São Paulo constituiu-se no anel periférico das cidades ao redor da capital. Fortificada em muros altos, cercas de arames farpados e condomínios de segurança máxima, a capital configura uma área aberta, sem pontos segregados espalhados pelo seu interior, como o caso carioca.

Por sua vez, a organização do estado-crime pela via prisional estabelece uma rede que vai além da capital, na sincronicidade de operações que amplificam em muito as operações e as dimensões da crise.

A guerra aberta entre o aparato policial e penal e a rede do PCC, tendo como campo a capital, os presídios e as cidades do interior relacionadas aos presídios, opõem, entre si, os operadores imediatos do estado-capital-crime, os “peões”. Mas aberta e fora dos padrões rotineiros de São Paulo, esses exercem um impacto mais profundo. Proporcional ao terror e ao medo são a impotência e a incapacidade das análises, já que se dão sobre um padrão inusitado.

De que forma o poder político se nutre dessa violência para ampliar suas bases eleitorais ou reduzir as de seus adversários?

José Cláudio. A lógica da violência aberta, sobretudo dos homicídios, possibilita ganhos fabulosos pela estrutura do estado-capital-crime com a morte de gente pobre: bandido ou aparato policial-prisional. O recrudescimento punitivo da “pena de morte aberta para os bandidos” aprofunda a criminalização da pobreza, da heroicização dos matadores e grupos de extermínio, nos plenos poderes para o aparato policial e nas trajetórias políticas desses assassinos. A clientela da distribuição dos bens de segurança é ampliada, abocanhando, sobretudo, a classe média aterrorizada. A segregação sócio-geográfica sobrepõe-se ao curral eleitoral, num controle mais preciso de idas e vindas das pessoas e dos políticos com seu clientelismo. A fragmentação social e a segregação se aprofundam desfavorecendo a organização e os movimentos populares de resistência a esse “totalitarismo” político, cultural, econômico e socialmente construído.

Existiria, ainda, um ‘mercado’ da violência urbana?

José Cláudio. O aparato policial sempre esteve envolvido no mercado do crime: execuções sumárias, tráfico de armas e drogas, seqüestros, roubos etc, pois estamos falando do maior centro do capital nacional e transnacional. Hoje, São Paulo é uma cidade global. Logo, a movimentação do crime acompanha a movimentação do capital numa simbiose perfeita: o capital lava o dinheiro do crime, o crime retribui com rendimentos inimagináveis. Por exemplo: um quilo de cocaína, comprada a R$ 7 mil, ao adicionar “pó-Royal”, isto é, fermento para bolo, gera, no varejo, R$ 47 mil. O craque é menos rentável, mas está na mesma ótica. Outros crimes em geral também tem seu super-lucro, bem como todo o mundo da segurança privada, que vai das viagens de helicóptero – São Paulo é recordista mundial desse meio de transporte – às empresas privadas de segurança, montadas por policiais nos seus “bicos” privados.

Como o senhor analisa o discurso da grande mídia em relação à cobertura da guerra PCC x governo Cláudio Lembo? A mídia favorece o uso político eleitoral da (in)segurança pública?

José Cláudio. Sem dúvida, a construção midiática dos fatos, das respostas, das análises das políticas públicas de segurança e das análises sobre a violência e suas causas constrói uma interpretação muitas vezes decisiva na legitimação de lideranças políticas. As especificidades do jogo político, em época de eleição, reconfiguram o campo das variáveis, a partir dos interesses políticos específicos. É preciso ler por trás das linhas. Ajudas, apoio, recrudescimento punitivo, negociações, mitificação de heróis, culpabilização de pessoas incluem a crise da violência no meio do tabuleiro de xadrez eleitoral.

Tanto o governo federal como o estadual não se diferenciam, em termos políticos, quanto às ações em relação à questão da violência ou especificamente, quanto à atual crise paulista. Tratam-na à base da ampliação da punibilidade e da repressão, sequer arranham a estrutura em que eles próprios se encontram do estado-capital-crime e, de quebra, monopolizam a mídia por completo com um arsenal de lugares comuns, preconceito, discriminação, e, muitas vezes, pura estupidez ou frases de efeito que tornam o cenário ainda mais confuso.

Muitas personalidades da política, em especial governantes ou aspirantes a governos, afirmam e reafirmam, no discurso, a educação como solução para a violência urbana. Qual o papel das universidades públicas nesse debate?

José Cláudio. Precisa-se evitar o discurso da educação como grande panacéia para a solução da violência. Ela é apenas uma das estratégias, mesmo que seja a mais importante. Sem política econômica de crescimento e geração de emprego e políticas sociais de urbanização, transporte, acompanhamento psicológico e social das populações mais pobres e segregadas é impossível alterar a realidade da violência urbana. Universidades públicas que mal conseguem recursos para realizar projetos de pesquisa e extensão, voltadas para essa população, são exemplos mais de resistência do que de solução. Um governo que privilegia o pagamento da dívida externa com metade do PIB nacional, que garante bilhões de lucro para os bancos e consolida o latifúndio e o agrobusiness exportador e devastador dos recursos ambientais está muito longe de investir nas universidades públicas o suficiente para tê-las como fator determinante de solução da violência.


Publicado originalmente no Jornal da Adufrj nº 504, de 31/7/2006 (www.adufrj.org.br)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Estado x violência urbana - o caos no Rio

A Guerra do Rio? A farsa e a geopolítica do crime
José Cláudio Souza Alves* 25/11/2010



Nós que sabemos que o inimigo é outro?, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar. Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.

O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos. De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemÿnica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemÿnica. Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas.

Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de ?segurança?.Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemÿnica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos. Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemÿnicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc. Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo? Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas. Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico. Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.

A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros. Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemÿnicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul?

Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro? Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade. Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.

* José Cláudio Souza Alves e sociólogo, Pró-reitor de Extensão da UFRRJ e autor do livro: Dos Barões ao Extermínio: Uma História da Violência na Baixada Fluminense.

Fonte: http://www.ufrrj.br/portal/modulo/home/noticia.php?noticia=1864
Foto José Cláudio: http://www.renajorp.net/2006/08-baroes.html
Foto polícia federal: Foto: Thamine Leta / G1

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fernando Lara expõe no Texas


O Studio "Informal Texas" do arquiteto radicado em Austin, Texas, Fernando Lara, foi um dos convidados para expor suas pesquisas sobre projetos para comunidades de baixa renda no Museu de Arte de Austin (AMoA). A exposiçãos dos trabalhos ocorreu entre os dias 6 a 10 de novembro e foi  organizada pelo escritório Runa e pela AIA (American Institute of Architects) de Austin. 






Fonte: http://www.parededemeia.blogspot.com/
Imagens: Parker Doelling

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Prêmio AsBEA 2010 coloca a arquitetura brasileira no radar do mundo

Em sua sexta edição, prêmio contará com a cobertura da imprensa internacional e incluirá iniciativa inédita de posicionamento da marca

A solenidade de entrega da sexta edição do Prêmio AsBEA Arquitetura, que acontecerá na noite de 2/12, na Casa Petra, em São Paulo, neste ano englobará uma ação inédita de posicionamento da marca dos serviços de arquitetura brasileiros, o Projeto Imagem.

Projeto Imagem - Esta ação faz parte do Programa de Internacionalização da Arquitetura, promovido pela AsBEA em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Com foco no fortalecimento e na abertura do mercado externo para o setor de arquitetura brasileira, o projeto tem como objetivos principais o posicionamento e o fortalecimento da imagem da arquitetura brasileira no mundo e a construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento de uma cultura exportadora para o setor de arquitetura nacional, através da presença de profissionais brasileiros no mercado internacional.

O Projeto Imagem consiste na visita de formadores de opinião estrangeiros ao Brasil para conhecer o setor, o projeto e as empresas brasileiras, com o intuito de promover a imagem dos produtos e serviços nacionais nos mercados-alvo de origem desses convidados.

Para tanto, foram contatados jornalistas de editorias de economia/negócios e de arquitetura de países considerados mercados-alvo e formadores de opinião pelo estudo de mercados do programa.

Além de cobrirem o Prêmio AsBEA, estes jornalistas terão a oportunidade de fazer uma imersão no setor e levar aos seus países de origem informações sobre oportunidades de investimento e sobre a capacitação técnica e qualitativa que destacam os nossos profissionais para atuação no mercado interno e externo.

Mais de 100 inscritos - Neste foram mais de 100 projetos inscritos ao Prêmio AsBEA Arquitetura, o que certamente rendeu muito trabalho ao júri presidido pelo arquiteto Sergio Teperman, com a colaboração, entre outras personalidades da área, do jornalista Fernando Serapião, editor-executivo da revista ProjetoDesign.

Os projetos premiados farão parte de uma edição especial da revista ProjetoDesign.

Instituído em 2002, o Prêmio Roberto Cláudio dos Santos Aflalo, como é denominado, é disputado a cada dois anos, premiando a produção dos escritórios associados por obras construídas nos últimos cinco anos e que não tenham sido premiadas em edições anteriores.

Concorrem ao prêmio projetos enquadrados nas seguintes categorias: edifícios residenciais, conjuntos residenciais, edifícios comerciais, edifícios de serviços, edifícios para hotelaria, edifícios institucionais, edifícios industriais, arquitetura corporativa, arquitetura de interiores, residências, urbanismo, projetos especiais, sustentabilidade e retrofit.

O júri responsável pela escolha dos vencedores foi presidido pelo arquiteto Sergio Teperman, que, entre outras qualificações, é membro do Comitê Internacional de Críticos da Arquitetura (Cica), foi presidente da AsBEA, e participou de diversas publicações da área, como a revista A&C, o jornal Arquiteto, as revistas ProjetoDesign e Arquitetura e Urbanismo.

Como de costume, os concorrentes só conhecem os vencedores na Festa Prêmio, que neste ano acontecerá na Casa Petra, em São Paulo, na noite de 2/12.

Tome nota:

Entrega do Prêmio AsBEA Arquitetura
Quando: 2 de dezembro de 2010, a partir das 20h30
Local: Casa Petra (Rua Professor José Leite e Oiticica, 237, Brooklin Novo, São Paulo, SP
Convites: R$ 150,00, cada, válido para duas pessoas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A questão urbana e o pós eleições

Campina Grande, ou qualquer outra cidade brasileira ...

Na última sexta-feira pela manhã tive que me deslocar de João Pessoa até Campina Grande para deixar uma pessoa no Terminal Rodoviário Argemiro de Figueiredo. A estrada duplicada permitiu uma viagem rápida, tranquila e segura. Ao descer no Terminal tive a sensação de que o ar condicionado do nosso veículo proporcionava uma temperatura muito mais amena que o "friozinho" que fazia em Campina Grande naquele horário.
A semelhança entre os terminais rodoviários de João Pessoa(82) e Campina(85)  não é mera coincidência e todo mundo já sabe disso. O excelente projeto de Glauco Campelo foi adaptado para a Rainha da Borborema sem nenhum pudor e com menor exigência estética. Não obstante a rodoviária cumprir bem o seu papel, os imponentes e elegantes pórticos em balanço do Terminal Severino Camelo foram substituídos por uma estrutura espacial que exerce a mesma função de abrigo, porém não desfruta da mesma expressão plástica. Não me perguntem quais os motivos que levaram a essa decisão que eu confesso desconhecer. Uma breve pesquisa no Google não ajudou a debelar minhas dúvidas.

Pórtico de concreto do Terminal Severino Camelo - JP

Estrutura espacial do Terminal Argemiro de Figueiredo - CG


Desculpem-me se me extendi nesta introdução e talvez tenha fugido um pouco do foco deste texto, mas não poderia me furtar deste breve comentário. O fato que me leva a escrever este texto é outro, mas está intrinsecamente ligado ao contexto urbano que cerca o Terminal Rodoviário.

Após desfrutar de um cafezinho no Terminal e embarcar o meu "passageiro" fui orientado por um taxista a virar à esquerda quando deixasse a rodoviaria e a pegar atalho através de um pequeno trecho de terra que me conduziria a Avenida Senador Argemiro de Figueiredo e a saída da cidade. 

Ao fazer o tal percurso me deparei com uma cena bastante comum nos nossos centros urbanos, mas que mesmo assim não deixou de me causar um certo estranhamento. Enquanto passava ao lado da passarela que atravessa a Avenida Senador Argemiro de Figueiredo e conecta o entorno do Terminal Rodoviário com o entorno do Spazzio registrei algumas famílias se acomodando embaixo da mesma, forjando um abrigo com vedações em madeiras, metal e papelão.

Passada as eleições, ainda reverberam os discursos vazios dos candidatos ao governo estadual e à presidência da república sobre as problemáticas urbanas que assolam as nossas cidades. O caos social que parecia distante e um "privilégio" exclusivo dos grandes centros urbanos começa a ultrapassar as barreiras "invisíveis" das periferias para se tornar uma constante no nosso cotidiano. Não é possível fundamentar uma politica de inclusão social pautada no aumento do poder de consumo da população menos favorecida. O Senador Cristovam Buarque em recente postagem no Twitter afirmou que o que tira uma pessoa da miséria "é ter onde morar,onde estudar,onde ser atendido".







No alto a Estação Rodoviária de Campina Grande e abaixo o Spazzio.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O CAU cada vez mais próximo

Câmara aprova criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo
Reportagem - Vania Alves
Edição - Newton Araújo

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou há pouco, em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., o Projeto de Lei 4413/08, do Executivo, que cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil e dos estados.

O relator, deputado Maurício Rands (PT-PE), votou pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do projeto, das emendas da Comissão de Finanças e Tributação e das emendas ao substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e de Serviço Público e considerou contrária ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RICD) a emenda apresentada na CCJ.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) afirmou que o arquiteto pode ser urbanista, que só há uma escola específica de urbanismo em todo o País e que é preciso atentar para o fato de que isso pode criar um problema no exercício da profissão.

A reunião ocorre no plenário 1.

Fonte: www2.camara.gov.br